Música

É uma dança em vídeo, é viral e é... saudita: “Barbs” é um fenómeno

Na escola de "Gangnam style" ou "Watch se (Whip/Nae Nae)", tornou-se num caso sério no Médio Oriente. Já terá levado a duas detenções

Texto de Joana Amaral Cardoso • 25/04/2016 - 20:12

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A palavra quer dizer “descoordenado” ou “confuso” em dialecto da Arábia Saudita, mas o fenómeno que está sua base é tudo menos isso. Uma espécie de "Gangnam style" saudita, "Barbs" é um vídeo musical que já foi visto dezenas de milhões de vezes e que está a varrer viralmente o Médio Oriente. Entretanto, dois fãs já foram presos e algumas vozes já se fizeram ouvir contra os trejeitos exibidos pelo vídeo num país profundamente conservador.

 

O caso "Barbs" fumega na Internet desde Dezembro, quando o saudita Majed al-Esa lançou este vídeo que combina uma música minimal com uma coreografia misturando elementos visuais dos anos 1980, breakdance, o hip-hop mais "mainstream" e alguns movimentos da dança da região. Um excerto do vídeo mostra um grupo que alinha a coreografia, dos pés à cabeça, com o líder de ténis vermelhos a incentivar: “Põe o pé assim." E a mania estava lançada. Como nos casos da febre (e da vontade de dançar) que acompanhou a sul-coreana "Gangnam style" ou da onda que foi "Watch me (Whip/Nae Nae)" de Silentó, toda uma parte do mundo parece agora saber a coreografia.

 

"Barbs" começou a somar visualizações e, depois, emulações. Há inúmeros vídeos no YouTube – onde o original do realizador e editor musical, Majed al-Esa, acumula mais de 21 milhões de visualizações à hora de publicação desta notícia, fora as republicações noutros canais – de jovens marroquinos, iemenitas ou tunisinos, famosos sauditas (os "bloggers" Omar e Rajaa Belmir), o que aparentam ser mulheres de "niqab" e até uma dupla de soldados dos Emirados Árabes Unidos a replicar ou a acrescentar elementos à coreografia. Estes últimos são um dos pontos em que a história tradicional dos vídeos virais com canções e danças que não vêm dos habituais centro de produção e consumo ocidentais muda.

 

Os dois militares, devidamente fardados, fizeram um curtíssimo vídeo, que se encontra ainda no YouTube com duas contas de Snapchat identificadas, apenas com um dos momentos da dança. Segundo o escreve a France 24 no seu site, citando o jornal diário saudita "Okaz", os soldados foram punidos por terem “desrespeitado a farda e o Exército”. O "Washington Post" acrescenta que essa sanção foi mesmo a sua detenção, por ordem do Governo de Abu Dhabi.

 

A esta reacção, a mais extrema até agora conhecida à moda que está a divertir jovens do Médio Oriente e países árabes, juntam-se as críticas que alguns sauditas fazem nas redes sociais, como é o caso de Umalmotasem, como se identifica no Twitter. Lamentando que “mesmo os [sauditas] mais instruídos” estejam a “começar a imitar o Ocidente”, diz que estes casos “ensinam frivolidade aos seus filhos e o resultado são jovens que se parecem com os que estão neste vídeo, que estão ocupados a torcer-se ao som desta estranha canção, o 'Barbs'”. Há também quem se insurja contra a fama de quem não a merecerá ou contra os movimentos "indecentes" que na sua opinião a coreografia envolve.

 

O diário norte-americano cita ainda um colunista que tentou, no jornal "The National" (dos Emirados e que é publicado em inglês), explicar o apelo desta moda para a juventude do seu país e da região. Numa zona do mundo “que muitas vezes lida com algum tipo de conflito ou tumulto, não espanta que as pessoas procurem formas de escapar às duras realidades da vida fazendo o que muitos de nós gostamos de fazer: dançar”, escreveu Rym Ghazal.  

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