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Nelson Nunes

Nelson é escritor disfarçado de jornalista armado em investigador

Excerto

Apesar de todas as vicissitudes e particularidades de um festival plantado nos píncaros do que é comercial, até para um melómano o Rock in Rio se aproveita.

Agência Zero

Crónica

Um festival para criar memórias

O grande concerto do Rock in Rio foi o de Lorde. Caramba, a miúda soube transformar a Quinta da Bela Vista num sítio mais intimista que a Aula Magna

Texto de Nelson Nunes • 02/06/2014 - 11:05

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Entre os verdadeiros melómanos, o Rock in Rio é tudo menos consensual. Festival de massas onde a música pouco conta, notam-se resistências aqui e ali entre quem vem aos concertos e quem vem só para fazer a festa. Aqueles que, como eu, estão do lado da barricada anti-mainstream, não podem deixar de admirar o fenómeno que leva 345 mil pessoas a um espaço confinado com o firme e inequívoco propósito de fazer nascer e preavelecer memórias para o futuro.

 

Em cinco dias de espectáculos, vimos de tudo um pouco. Vimos um espectáculo de variedades apresentado por Robbie Williams, vimos o Frankie Chavez arrebatar uma pequena multidão, vimos o Gary Clark Jr. quase matar de tédio 90 mil almas. As memórias são, decerto, muitas e nem todas são boas. Mas há muito a apontar e nem dez crónicas chegariam.

 

O grande concerto do Rock in Rio foi o de Lorde. Caramba, a miúda soube transformar a Quinta da Bela Vista num sítio mais intimista que a Aula Magna. Num espectáculo também a roçar a perfeição estiveram os Rolling Stones, que deixaram embaraçadas 90 mil pessoas — tomara nós poder andar nos 40 anos e ter metade da pica do Mick e do Keith. Nota ainda para o pedaço de História a que pudemos assistir: o Boss e os Stones no mesmo palco? Melhor só em sonhos.

 

De destacar também o emocionante concerto dos Capital Inicial, desconhecidos para a maioria dos portugueses, mas que, como alguém dizia na assistência, “são os Xutos lá do sítio”. A festança oferecida pelos Arcade Fire é também digna de merecido registo. Antes de um concerto eclético dos Linkin Park, que ia do electrónico ao nu-metal em menos de nada, e onde muitos se impressionavam pela aflição controlada de Chester Bennington durante o seu berreiro já pouco habitual, ainda deu para ver Josh Homme ameaçar, ao seu estilo, um chaval pouco fã de Queens of the Stone Age: “se me apontares de novo esse laser, parto-te o pescoço”. Não deixou de ter a sua graça.

 

O dia da pop foi o que mais emoção trouxe entre os fãs, só comparável à histeria demonstrada no dia anterior, à chegada de Ed Sheeran ao palco. Jessie J e Justin Timeberlake foram reis. Ela, num estilo que terá por certo aprendido com as melhores do ramo, arrebatou uma multidão, aquecendo-a como mandam as regras para o que se seguiria. Ele, artista mais que nato, apresentou um espectáculo competente mas com ares de quem procura ser um sucedâneo do saudoso Michael Jackson.

 

Já o disse antes e torno a dizê-lo: a grande vitória do Rock in Rio, porém, é a transformação do medíocre Sunset num palco secundário em condições. Com a fina nata do que se faz em Portugal e com boas bandas internacionais, entregou ao público menos popularucho muito boas canções. Fazendo apenas uma ressalva, faço minhas as palavras que Hélio Morais atirou em jeito de provocação durante o concerto dos seus Linda Martini: “Bom era se as bandas portuguesas tocassem depois das estrangeiras”. Amén.

 

Apesar de todas as vicissitudes e particularidades de um festival plantado nos píncaros do que é comercial, até para um melómano o Rock in Rio se aproveita.

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