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Tiago da Bernarda

Música

É um gato, faz críticas musicais e é um desenho: O Gato Mariano

O Gato Mariano é uma personagem que o Tiago da Bernarda usa para fazer críticas musicais ilustradas. Falamos com um deles, não sabemos bem qual

Texto de Ricardo M. Alves • 09/05/2014 - 11:39

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Tiago da Bernarda é um jovem que juntou a paixão pela música ao excesso de tempo chamado desemprego para fazer O Gato Mariano, um blog de críticas musicais ilustradas. Conversamos com ele — com um deles, não sabemos bem qual — sobre a ideia e ele ofereceu-nos um desenho original para acompanhar a entrevista. "Disseram-me que isto sairia no Ípsilon". Podem consultar aqui as Críticas Felinas.

 

O Frank Zappa dizia que escrever sobre música é como dançar sobre arquitectura. Ao desenhar escritos sobre música estás a facilitar ou a dificultar a tua tarefa?

É sem dúvida mais um desafio... e embora eu não leve este trabalho particularmente a sério, tento traduzir ao máximo no desenho a ideia que tenho na cabeça. Mas às vezes não sai exactamente como quero, ou descubro que a interpretação que as pessoas fazem não é exactamente a mesma. Até acho isso curioso, e ainda estou numa fase em que isso não me incomoda.

 

No fundo estás a exprimir impressões muito pessoais mas por interposta pessoa - nomeadamente, um gato. Não parece uma opção imediata, de onde é que isso veio?

A personagem do Gato Mariano surge porque queria fazer algo muito próprio da internet, é daí que surge um gato que personifica as minhas ideias. Achei que estar a desenhar-me a mim próprio a dirigir-me às pessoas até seria algo mais distanciado do que ter as ideias personificadas.

 

Mas as impressões que passas são até muito abstractas, prendem-se mais com o que os discos surtiram em ti do que com aquilo que surtiriam numa audiência mais alargada.

Da mesma forma que eu não acredito em pontuações nas críticas, também não acredito que há algo que seja simplesmente bom ou mau. Mais do que dizer o óbvio, prefiro ilustrar interpretações e desenvolver uma personagem que cresce com cada crítica. Já acrescentei algumas personagens, como um alce que criei para ser a voz de vícios que odeio na discussão de música e que apelidei de "hipster seboso da net". Recentemente tive um crítico convidado, o Paulo André Cecílio, que também ganhou a sua própria personagem, neste caso um panda.

 

E o Gato chama-se Mariano porquê?

Isso é uma piada privada que tenho com a minha irmã, aquela história que contamos sempre nos jantares de família. Quando éramos mais jovens a minha irmã, que se chama Mariana, decidiu cortar o cabelo muito curto. E houve um dia em que um senhor com uma certa idade estava a meter conversa com ela, e depois de se apresentarem ele responde "Ah, o meu nome também é Mariano!". O nome Mariano ficou assim bastante celebrado entre primos.

 

Suponho que era preciso estar lá. Tens formação em desenho?

Nada. A minha formação é em ciências da comunicação, sou jornalista. Ou antes, aspirante a jornalista. Mas sempre desenhei nos cadernos, e sempre tive um gosto por banda desenhada. No entanto, achei que o meu traço não era algo que pudesse ser aceite. Mas entretanto fui conhecendo produção mais independente feita em Portugal, e fui-me apercebendo que afinal até havia espaço para mim. Quando acabei o meu estágio e me deparei com aquela quantidade imensa de tempo livre, lancei-me nisto.

 

As críticas que fazes são só sobre música portuguesa recente. Porquê?

Chateava-me sempre quando as pessoas faziam as suas listas dos melhores álbuns e era sempre a selecção dos mesmos nomes internacionais e no que tocava à música portuguesa era sempre "não ouvi nada" ou "não gostei de nada" ou então eram sempre os mesmos dois ou três álbuns. Eu ficava perplexo com isso, será que não ouviram mesmo nada? Não foram a nenhum concerto fora dos festivais de verão? Eu acho que há sempre algo que agradará aos teus gostos específicos.

 

O Gato Mariano tem algo de missão, então...

Sim, mas eu estou numa fase ainda tão pequena que estou mais dependente das bandas me divulgarem a mim do que propriamente ser eu a divulgar bandas. Mas o objectivo é sempre esse, de falar de projectos interessantes que estão a acontecer agora e que precisam de mais atenção.

 

Texto editado por Luís Octávio Costa

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