“Gypsies”, um “documento bruto” da história cigana

autoria Ana Marques Maia

// data 06/04/2018 - 18:08

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Entre 1962 e 1971, o fotógrafo Josef Koudelka acompanhou inúmeras comunidades ciganas da Checoslováquia, Roménia, Hungria, França e Espanha e realizou um corpo de trabalho que a agência Magnum apelidou de "um dos ensaios fotográficos de referência do século XX". São 109 imagens, estão compiladas no fotolivro Gypsies — editado pela Aperture — e oferecem um retrato íntimo, "sem paralelo", da vida quotidiana das comunidades romani residentes na Europa. "Desde uma imagem de um trio de músicos acompanhados dos seus instrumentos, até retratos de famílias que viviam em condições de vida precárias, o ensaio fotográfico [de Koudelka] é um testemunho do vigor da cultura cigana e um documento bruto da realidade das vidas desse povo."

 

Munido apenas do seu equipamento fotográfico, uma mochila e um saco-cama, Koudelka viveu e migrou livremente entre dezenas de acampamentos ciganos durante aproximadamente dez anos. "Tal como as comunidades que fotografou, a vida de Koudelka durante esse período era caracterizada por desalojamento e alienação", refere no seu site a Magnum. "Foi, definitivamente, a sua afinidade com o modo de vida deste grupo que o levou a fotografá-lo e que permitiu que penetrasse na intimidade e vicissitudes da sua vivência de forma inovadora. Koudelka mergulhou de cabeça no projecto e conseguiu um retrato imparcial e honesto de uma comunidade nómada cuja existência tem vindo a ser contestada continuamente através dos tempos."

 

Para muitas comunidades ciganas residentes na Europa, a era captada pelo fotógrafo da Magnum "é lembrada como uma era dourada do seu passado". "O regime comunista da então Checoslováquia melhorou as condições de vida deste grupo e protegeu-o do racismo de que tinham sido vítimas durante o período da Segunda Guerra Mundial." O conflito, que decorreu entre 1939 e 1945, vitimou mais de meio milhão de ciganos.

 

Josef Koudelka nasceu em Morávia, na República Checa, em 1938, e recebeu os prémios Nadar, Grand Prix National de la Photographie, Grand Prix Cartier-Bresson e Hasselblad Foundation International Award. O seu trabalho já foi exposto no Museu de Arte Moderna e no Centro Internacional de Fotografia no Nova Iorque, na Hayward Gallery, em Londres, o Museu de Arte Moderna de Amsterdão e no Palais de Tokyo, em Paris. Este domingo, 8 de Abril, assinala-se o Dia Internacional dos Ciganos.

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