O “2016” de Bráulio Amado não foi igual aos nossos

autoria Amanda Ribeiro

// data 14/08/2017 - 09:49

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Bráulio Amado não é uma pessoa normal. Por várias razões. Uma prova: nas horas mortas do trabalho como designer e ilustrador na Bloomberg Businessweek, em vez de se dedicar a um letárgico scroll nas redes sociais, fazia posters. Muitos. "Eu tenho uma certa comichão em ficar quieto. (...) Aos poucos tornou-se algo normal do dia-a-dia, quase como um sketchbook que preenchia nas horas mortas", conta, em declarações por email ao P3 a partir de Nova Iorque, onde reside. Desta forma, acabou no ano passado por desenhar mais de cem, reunidos no livro 2016, da Stolen Books, que chega agora à segunda edição. Ao folhear as 120 páginas, amarelas, podem ver-se cartazes de concertos, de festas de música electrónica no Good Room ("A casa de banho é, essencialmente, uma galeria de arte preenchida com os meus posters, o que tem alguma piada"), de noites no Lux ou no Maus Hábitos, ou até com mensagens políticas. O estilo do livro é minimalista. A cor, a informação, a atenção estão nos posters, tão diversos entre si, mas sempre tão consonantes. O gosto pelo formato já vem de longe. Bráulio Amado sempre os fez, por gozo ou para amigos. Atrai-lhe a liberdade. "Os posters", sublinha, "serviram-me para experimentar coisas que por norma não faria". Nem todos os trabalhos desenvolvidos entraram na selecção final para o livro; uns estavam "muito maus", outros desconhece-se o paradeiro dos ficheiros de alta resolução. Mas há alguns que ainda hoje impactam, como aquele que fez para a banda Red Axes: "É dos meus favoritos. Simples, meio abstracto, foi algo que surgiu por erro e que foge um pouco ao estilo do resto dos meus trabalhos." Depois de ter saído da Bloomberg Businessweek em 2016, o jovem português, nascido em Almada em 1987, tem-se dedicado a uma carreira freelancer, após de uma breve passagem pela Wieden+Kennedy ("A publicidade não é algo que me seduz"). Gosta de fazer posters, capas de álbuns de música, ilustrações editoriais, coisas "menos institucionais". "Tem corrido bem", confirma. Basta pensar que a capa de Lens, de Frank Ocean, é dele, a de outros tantos discos portugueses também, e que entre os seus clientes estão o The New York Times, a Wired Magazine, a Nike, ente outros. Pelo meio, ainda dá uma perninha no universo dos videoclipes. "Espero nunca voltar a trabalhar full-time numa agência", confessa. Conselho para futuro designers: "Experimentem o máximo possível. Desenvolvam os vossos próprios projectos. Comecem uma zine, façam coisas por gozo, pintem, desenhem, aprendam coisas novas. Façam tudo!". Podem sempre inspirar-se em 2016 que está à venda no site da editora e, em Portugal, na STET (Lisboa) e STALL (Porto).

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