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Arte

PANTA: Uma revista de cultura e artivismo que celebra a arte pelo mundo

A PANTA Magazine reúne trabalhos de artistas emergentes que pretendem ter um impacto positivo na sociedade

Texto de Ana Catarina Peixoto • 31/07/2017 - 15:19

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"Nós simplesmente começamos do nada, não perguntamos a ninguém." Foi assim que, em 2014, Guille Lasarte, Charlotte Specht e Mario Rueda decidiram criar a PANTA Magazine, uma revista trianual de cultura criativa e artivismo, em inglês, distribuída por várias cidades europeias.

 

Folhear as páginas da revista é uma descoberta constante. Entre a fotografia, a arte urbana, o design, a ilustração, a escrita e a música, os trabalhos publicados trazem consigo mensagens de cariz social, cultural, político e ambiental de todo mundo e pretendem ter um impacto positivo na sociedade.

 

A PANTA quer mostrar que nesta área ninguém pode ser deixado de parte: "Vemos coisas incríveis a vir da mente da nova geração, mas ao mesmo tempo vemos também uma espécie de cultura que tem vindo a ser sugada por uma ostentação visual e intensas práticas consumistas", explicam os criadores.

 

Guille, Charlotte e Mario sentiam que o mundo artístico estava, muitas vezes, restrito a galerias, museus, teatros e salas de concertos e, por isso, quiseram criar algo que contrariasse esta ideia. O objectivo é focar "no que arte e colaboração significam, num mundo onde esta se tem vindo a tornar cada vez mais como todo o resto: uma questão de poder e lucro", contam ao P3.

 

A revista tem sede em Berlim e Lisboa e é publicada pela Book a Street Artist, uma plataforma online que permite "reservar" artistas. Alguns artistas portugueses já ocuparam as páginas de histórias da PANTA, como Bordalo II, um duo de fotografia chamado Duck Productions, artistas urbanos como Tamara Alves, DRAW e José Carvalho, e uma banda funkOs Compotas.

 

Mas, o empreendedorismo jovem português é suficientemente divulgado? Guille diz que, acima de tudo, "precisa de ser maioritariamente financiado". A editora e directora criativa do projecto vive em Lisboa há oito anos e diz ter observado a forma como a cidade "tem vindo a ser lentamente vendida a investidores no decurso dos últimos anos", com a substituição das associações e espaços culturais por grandes cadeias de hotéis e investidores. "Infelizmente, cultura e artes têm vindo a ser descartadas no processo", acrescenta.

 

A revista tenta, assim, inspirar e incentivar os jovens criativos portugueses a avançarem com os seus próprios projectos e a não terem medo de arriscar. Actualmente conta com uma equipa de seis pessoas, que trabalham com diversos jornalistas e fotógrafos, estando o lançamento da edição n.º 12 marcado para Outubro.

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