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Igualdade

Tinta da China edita livros “anti-princesas”, com heroínas reais

Editora argentina criou uma série de livros dedicada a mulheres latino-americanas. Em Março, a colecção chega às livrarias portuguesas com a chancela da Tinta da China e da EGEAC

Texto de P3 • 13/02/2017 - 13:09

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"As anti-princesas não têm super-poderes, mas são super-poderosas e sabem que as mulheres reais é que podem mudar o mundo." A editora Tinta da China e a EGEAC, Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural de Lisboa, adoptaram a colecção "anti-princesas", criada em 2015 pela editora argentina Chirimbote e traduzida em 2016 para português do Brasil, pela Sur Livro. A colecção já está em pré-venda no site da editora portuguesa e chega às livrarias no dia 3 de Março. O lançamento está marcado para 8 do mesmo mês e é uma das iniciativas que integram a comemoração do Dia Internacional da Mulher no âmbito da programação Lisboa por Dentro. 

 

A colecção tem disponíveis, para já, quatro títulos, escritos por Nadia Fink e ilustrados por Pitu Saá, sobre quatro anti-princesas. O primeiro é dedicado a Frida Kahlo, heroína que "teve uma perna defeituosa que nunca escondeu, e usou a arte para combater o sofrimento". A pintora mexicana "vestiu-se de rapaz, inventou um estilo que nunca mais se viu, e nos seus desenhos cabiam auto-retratos, o México inteiro, animais, esqueletos e a luta pelo bem de todos", lê-se na apresentação da obra.

 

O segundo livro é dedicado a Violeta Parra, que "viajou pelos lugares mais remotos do Chile para recolher e salvar do esquecimento as canções tradicionais". A compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena "aprendeu sozinha a tocar vários instrumentos, a pintar em cartões e a bordar serapilheira", descrevem. "Quando foi preciso, vestiu saias feitas de cortinados, carregou os filhos para o trabalho, e nunca desistiu de cantar as vozes e os sons do seu povo."

 

Há ainda um título dedicado a Juana Azurduy, que ao perceber a vida "difícil e injusta" na Bolívia quando este era um país ocupado não conseguiu ficar parada. "Vestiu uma saia branca e um casaco vermelho, pegou numa espada, e enfrentou a cavalo as lutas pela libertação da América do Sul. Com os filhos nos braços e outras amazonas ao seu lado, tornou-se guerreira muito antes de o exército sequer aceitar mulheres."

 

A fechar, um livro sobre a escritora que foi também uma anti-escritora, como a própria gostava de dizer, Clarice Lispector. "Nasceu numa Europa pobre, cresceu num Brasil pouco progressista, e o português sempre foi a sua língua. Dobrou as palavras, libertou a mente, ignorou as regras, e assim escreveu romances, contos e crónicas, com a máquina de escrever ao colo e os filhos a brincarem à sua volta. Inventou coelhos pensadores, a galinha Laura, um cão que comia cigarros, e um mundo onde podia sempre dizer o que pensava e sentia."

 

A Chirimbote — que realça que a colecção que procura combater estereótipos de género é tanto para meninas como para meninos — lançou já outros livros, como um dedicado a Gilda, a cantora e compositora argentina que se transformou numa santa popular, ou outro sobre Alfonsina Storni. Além disso, criou uma colecção paralela, a "Anti-heróis", que conta já com livros dedicados a Che Guevara, ideólogo e comandante da revolução cubana, ao escritor argentino Julio Cortázar ou a Eduardo Galeano, jornalista e escritor do Uruguai. 

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