Boitatá

Brasil

Pode a política ser assunto de crianças? Estes livros mostram que sim

Colecção reeditada por editora brasileira fala de democracia, ditadura e de desigualdades entre classes e entre géneros. Para pôr os mais pequenos a pensar sobre o mundo

Texto de Mariana Correia Pinto • 29/02/2016 - 16:55

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Tornou-se conhecida como uma editora de obras de sociologia, filosofia ou história, mas está agora a dar nas vistas por outras razões. Desde o final do ano passado, a editora brasileira Boitempo Editorial inaugurou o "selo infantil" Boitatá com a colecção “Livros para o amanhã”. São histórias para crianças, mas a linha editorial mantém-se porque, acreditam, é possível (e importante) falar de política com os mais novos.

 

A ideia era já um sonho antigo da editora, mas chegar ao projecto actual não foi um caminho linear. Queriam livros que ajudassem os mais pequenos a pensar, mas fugir ao dogmatismo — e isso foi mais difícil do que imaginavam. "Queremos mostrar que política é coisa de criança, sim. Elas estão sempre a perguntar sobre isso. Esperamos que esses trabalhos também possam ser usados nas salas de aula com os professores", explicou à Globo a directora editorial da Boitempo, Ivana Jinkings.

 

Os quatro números (dois publicados e dois preparados para sair em Março) andam à volta do regime democrático ("A Democracia Pode Ser Assim"), o autoritarismo ("A Ditadura é Assim"), as desigualdades entre classes ("O que são as Classes Sociais?") e entre géneros ("As Mulheres e os Homens").

 

O projecto original foi desenvolvido entre 1977 e 1978, três anos após a queda de Franco, pela editora catalã La Gaya Ciencia. E relançado este ano pela Media Vacam, uma editora de Valência, com novas ilustrações e artistas contemporâneas. Na Boitatá, que agora agarrou o projecto, há textos complementares sobre democracia, do filósofo Leandro Konder, e sobre ditadura, do sociólogo Ruy Braga, e ainda uma galeria de ditadores (como Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel) desenhados pelo ilustrador Mikel Casal.

 

Curioso, diz Ivana Jinkings, é o facto de textos escritos há quase 40 anos continuarem actuais. "A percepção é que esse amanhã, do título da colecção, ainda não chegou e temos que preparar as crianças para ele", explica. Mas, afinal, como explicam estes livros a democracia ou a ditadura a crianças? Quase sempre através de comparações com o mundo infantil. “A democracia é como um recreio onde todos podem brincar de tudo”, lê-se no livro “A democracia pode ser assim”; Já a ditadura “é como um ditado: alguém diz o que é para fazer, e todo mundo faz. Porque tem de ser assim e pronto”.

 

A colecção foi recentemente premiada na Feira do Livro de Bolonha e o júri não poupou nos elogios: "[É] uma colecção que nasceu nos anos 1970, que recupera e actualiza uma série de temas de grande relevância política e social para a formação de leitores independentes. As imagens e os textos favorecem uma reflexão aberta sobre a actualidade."

 

Os livros podem ser encomendados online e cada um tem o preço de 39 reais (cerca de nove euros), aos quais acrescem portes de envio.

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