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Inês Chaíça é estudante de Ciências da Comunicação e aspirante a jornalista

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Germán Poo-Caamaño/Flickr

Crónica

Booktube: a crítica literária faz-se em vídeo

Nova geração de críticos literários online começa a dar os primeiros passos em Portugal

Texto de Inês Chaíça • 29/06/2015 - 22:07

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De costas para as estantes filmam-se a dar a sua opinião sobre um livro, que posteriormente publicam no YouTube. São os "booktubers" e apresentam-se como a nova geração de críticos literários

 

Booktube: a palavra resulta da junção de "book" (livro) e "tube" (termo de calão para televisão) e define o grupo de pessoas que cria conteúdo sobre livros para o YouTube. De opiniões sobre leituras a vídeos onde mostram as compras mais recentes, são várias as formas encontradas pelos "booktubers" para se expressarem.

 

Em todo o mundo, este não é um fenómeno recente: os primeiros "booktubers" surgiram há quase nove anos. Mas por terras lusitanas, este é um fenómeno que só agora começa a dar os primeiros passos. Mariana Pereira é natural de Vila do Conde e produz conteúdo para o seu canal, Mary Red Hair. Diz que já seguia vários "booktubers" antes de começar o seu próprio canal, mas que a maior parte era "do Brasil ou então dos E.U.A., Canadá e Reino Unido". Foi por influência dos canais estrangeiros que se atreveu a começar um canal próprio, em língua portuguesa.

 

Christiana Morgado, 23 anos, vive em Águeda e é a "booktuber" por detrás do canal Diário da Chris. A sua história pelo "booktube" dura há quase três anos e já conta com mais de 1.500 subscritores. A criação do primeiro vídeo também foi influenciada pelos "booktubers" estrangeiros: “Um dia quando estava a ver um vídeo de beleza saltou-me à vista, na barra de recomendações do YouTube, um vídeo de uma menina brasileira, a Pam Gonçalves, sobre as suas 10 séries de livros favoritos”, recorda Christiana.

 

Apesar de estarem fisicamente dispersos, é o gosto pela leitura que une estes jovens. A criação de um espaço onde se pode trocar opiniões sobre livros constitui uma ideia sedutora para quem não tem com quem falar sobre este assunto com amigos ou familiares. “Como não tenho muito amigos perto de mim que gostem de ler, achei que seria engraçado criar um canal no YouTube” explica Mariana.

 

"Um meio de apelo à leitura"

É comum verem-se canais que começaram como blogues, mas que sentem necessidade de avançar para uma plataforma que proporcione uma experiência mais interactiva com os subscritores. O público, na mesma faixa de idades, pode responder a um vídeo através dos comentários. Neuza Dias tem 28 anos e é natural de Alverca do Ribatejo. Gere o blog MilFolhas há três anos e há um começou a produzir conteúdos para o YouTube. A mudança afigurou-se natural, pois, como explica, ter um canal permite “conhecer mais facilmente outros géneros e autores que a maioria dos blogues não aborda”.

 

Mas qual será a receita para um canal de sucesso? Na opinião de Catarina Abreu, 22 anos, natural do Funchal, que gere o canal Páginas Encadernadas, há que ter cuidado com alguns aspectos: “O cenário, a apresentação e a edição tornam o vídeo mais apelativo e são tão importantes como o conteúdo e o carisma do booktuber”. Neuza acrescenta ainda um pormenor: a dedicação. As horas de gravação e edição obrigam a que o "booktuber" tenha muita “vontade para manter no ar um projecto destes”, explica.

 

Apesar da maior parte dos "booktubers" ainda rejeitar o adjectivo "trendsetter", quase todos consideram que o facto de chegarem a muitas pessoas pode contribuir para influenciar os seus hábitos de leitura. Christiana resume a sua opinião de uma forma concisa: “Quem procura os nossos vídeos vem sempre à procura de uma recomendação e, por muito que naquele momento não tenhamos uma influência imediata, no futuro todas as opiniões que os "booktubers" deram vão ter influência no espectador”. Neuza admite que já houve pessoas que leram determinados livros por recomendação sua e que isso a assusta porque não quer "levar alguém a comprar um livro que depois vai odiar".

 

Sobre a comunidade portuguesa, todos concordam que há pontos que podem melhorar e que podem ajudar a fortalecer o grupo, ainda pequeno. “Se nuns canais se fala de roupa ou maquilhagem, aqui fala-se de livros. Como em tudo na vida, há pessoas que se dão bem, e pessoas que não se suportam”, admite Neuza. É de realçar, no entanto, os projectos conjuntos que têm começado a surgir na comunidade portuguesa, como é o caso do canal CincoPáginas, criado a partir da vontade de colaborar de cinco "booktubers", o que, na opinião de Christiana “demonstra que nos conseguimos unir e criar coisas boas em volta dos livros”.

 

No futuro, todos esperam que a comunidade cresça, não só no número de "booktubers" mas também de subscritores. Christiana exprime ainda uma ambição: que as editoras reconheçam esta comunidade como “um meio de apelo à leitura”, oferecendo-lhe apoios.

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