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Jorge Palinhos

Jorge Palinhos é escritor e docente do ensino superior

Excerto

Eram publicações mal impressas, mal paginadas, com gralhas e ilustrações borratadas, fixadas em papel mau, mas que fervilhavam de entusiasmo e de urgência. E os seus autores viviam para as fazer, para colaborar nelas ou para as trocar. Eram espaços de liberdade e partilha. Depois veio a internet e surgiram os blogues, os sítios e as webzines que as substituíram. Eram mais fáceis, mais baratos e supostamente mais universais. Mas, num meio virtual, tornou-se mais difícil acreditar na real existência e compromisso que implica uma fanzine em papel como a "Flan Zine"

DR

Crónica

O fanzine doce

Mas ao contrário dos fanzines em papel, onde as diferentes ideias chocavam e deflagravam nas suas capas, na web as ideias ficam muitas vezes sós e esquecidas, ou então vão sendo lentamente empurradas para o fundo da página, do ecrã, e da consciência

Texto de Jorge Palinhos • 23/12/2013 - 11:36

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Diz que é o número dois de Dezembro de 2013, a capa do exemplar do "Flan Zine" que tenho nas mãos, e que o seu tema é o medo. É uma publicação pequena, em formato A5, de uma impressão cuidada num papel de qualidade, com um design sóbrio, quase todo a preto e branco, exceto nas páginas centrais, cujas fotos e ilustrações rebentam em cor. Na ficha técnica diz que é uma "Receita de João Pedro Azul e Luís Olival", com edição de João Pedro Azul, e a sua lista de colaboradores e temas é eclética, com nomes conhecidos e desconhecidos da ficção, da poesia, do teatro, do ensaio, da ilustração e da fotografia.

 

Talvez não seja totalmente diferente das páginas literárias e de arte que povoam hoje a web, mas a impressão, o formato, a ironia, levaram-me para a memórias dos fanzines dos anos 70 e 80, que emergiram no fluxo das novas tecnologias de impressão, mais baratas e acessíveis, que faziam crer que qualquer um podia espalhar as suas ideias ao mundo.

 

E durante algum tempo tentou-se. Para todas as áreas — na música alternativa, na BD, no esoterismo, na poesia, na filosofia, na política, na ficção de género — havia gente a escrever e a publicar notícias, ideias, boatos e delírios, em fanzines que se empilhavam em bares e lojas para comprar e levar.

 

Eram publicações mal impressas, mal paginadas, com gralhas e ilustrações borratadas, fixadas em papel mau, mas que fervilhavam de entusiasmo e de urgência. E os seus autores viviam para as fazer, para colaborar nelas ou para as trocar. Eram espaços de liberdade e partilha. Depois veio a internet e surgiram os blogues, os sítios e as webzines que as substituíram. Eram mais fáceis, mais baratos e supostamente mais universais. Mas, num meio virtual, tornou-se mais difícil acreditar na real existência e compromisso que implica um fanzine em papel como o "Flan Zine".

 

Um dia, no meio da febre dos fanzines, um amigo contou-me que tinha sonhado que todas as pessoas do mundo estavam na rua a trocar papéis — fanzines — entre si. Esse sonho tornou-se hoje realidade no Twitter, no Facebook e noutras redes sociais, onde cada pessoa é um distribuidor ou redistribuidor de informações e ideias. Mas ao contrário dos fanzines em papel, onde as diferentes ideias chocavam e deflagravam nas suas capas, na web as ideias ficam muitas vezes sós e esquecidas, ou então vão sendo lentamente empurradas para o fundo da página, do ecrã, e da consciência.

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