Cinema

Mostra de Cinema Olhares Sobre Angola está de regresso

Promovida pela produtora Geração 80, a Mostra de Cinema Olhares Sobre Angola vai ter lugar no HANGAR, em Lisboa, entra quarta e quinta-feira. A entrada é livre

Texto de Lusa • 23/10/2017 - 11:51

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Os projectos visuais da produtora angolana Geração 80 darão a conhecer novos trabalhos e autores, na quarta edição da Mostra de Cinema Olhares Sobre Angola, a ter lugar no HANGAR, em Lisboa, entre quarta e quinta-feira desta semana.

 

Com entrada livre, a mostra abre na quarta-feira, pelas 19h, no HANGAR, em Lisboa, com a projecção de uma selecção de obras realizadas pela produtora nos últimos anos, tendo Angola como pano de fundo. Intitulada A Nossa Geração, o conjunto de produções trata-se de uma breve retrospectiva, que irá contar com videoclipes do álbum Gatuno Emigrante & Pai de Família — lançado em 2016 — pelo cantor Nástio Mosquito, assim como com os bastidores do documentário Independência (2015).

 

Realizada por Fradique, esta longa-metragem valeu ao cineasta — natural de Luanda — o Prémio Nacional da Cultura de Angola e a distinção de Melhor Documentário do Festival Internacional dos Camarões, em 2016, focando-se nos "anos de luta [que] determinaram o rumo de Angola após 1975". O filme dará continuação à noite de quarta-feira, pretendendo narrar a história de uma independência "proclamada já em clima de guerra, mas com muita emoção e orgulho", descreve o texto de apresentação da obra, que chegou a integrar as selecções oficiais dos festivais de cinema Pan Africano (Estados Unidos), de Luxor (Egito) e de Durban (África do Sul). A sessão contará, ainda, com a presença da directora de fotografia Kamy Lara, acompanhada do sociólogo Manuel Dias dos Santos.

 

De acordo com o perfil biográfico traçado no comunicado, Lara encontra-se a trabalhar no seu primeiro documentário, denominado Palco Invertido, composto por filmagens do processo de bastidores de um dos espectáculos da Companhia de Dança Contemporânea de Angola. A responsável pela fotografia da produtora à qual a mostra se dedica volta a ser incluída nos eventos de quinta-feira, pautados pela exibição de uma série de curtas-metragens, debruçadas sobre a vida quotidiana da população. Estas sessões contam com curadoria de Maria do Sameiro André e Jorge António.

 

Enquanto Alambamento (2008) volta a colocar a ênfase no trabalho do realizador Fradique, as curtas A Luz No Quarto Era Vermelha Porque Não Existia (2016) e Há Um Zumbido, Há Um Mosquito, São Dois (2017) são exemplos das criações de Ery Claver, ambas integradas na exposição colectiva Fucking Globo, de Luanda, recentemente. A última curta-metragem, Havemos de Voltar (2017), da autoria de Kiluanje Kia Henda, sintetiza um projecto mais longo, com o intuito de apresentar uma reflexão quanto "[ao] momento artístico contemporâneo vivido em Angola".

 

O fecho do ciclo, pelas 21h, será assinalado com a visualização do documentário Do Outro Lado Do Mundo (2016), cuja realização e fotografia ficaram a cargo de Sérgio Afonso. Rodado entre as cidades de Luanda e Bentiaba, o primeiro grande projecto do artista foi seleccionado para o programa DOCTV CPLP II, com vista a incitar ao debate "das relações humanas contemporâneas derivadas do intercâmbio entre Angola e China". O enredo abrange duas histórias de amor, "protagonizadas por duas mulheres de culturas diferentes [que] partilham a coragem e a ousadia de mudar o seu destino e quebrar barreiras culturais em prol da felicidade".

 

A produtora Geração 80 surgiu em 2010, graças aos esforços do realizador Fradique (Mário Bastos) e dos produtores Tchiloia Lara e Jorge Cohen, interessados em difundir e documentar através de imagens o dia-a-dia de Angola, no qual a organização está sediada. Ao mesmo tempo, o grupo espera "inspirar uma geração", encarando a cultura como sinónimo de "mudança, crítica [e de] construção de uma identidade".

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