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O actor e produtor J.D. Duarte (Culatra) e o actor e realizador Luís Ismael (Ton

O actor e produtor J.D. Duarte (Culatra) e o actor e realizador Luís Ismael (Tone) Manuel Roberto

"O Último Capítulo é uma mistura de filmes de artes marciais com o James Bond e

"'O Último Capítulo' é uma mistura de filmes de artes marciais com o James Bond e a Missão Impossível" DR

Encostámo-los à parede, mas mesmo assim não conseguimos saber como tudo acaba

Encostámo-los à parede, mas mesmo assim não conseguimos saber como tudo acaba Manuel Roberto

O filme encontra-se agora em pós-produção

O filme encontra-se agora em pós-produção Manuel Roberto

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E como seria um final à Walt Disney?

A situação que provocou o primeiro "Balas & Bolinhos"

As semelhanças entre a personagem e a pessoa por Tone e Culatra

Internacionalização: o Rato a falar italiano?

Eles ainda se riem com:

Luís Ismael: "Se alguém te perguntar se andas a vender droga na escola, tu não sabes de nada: é farinha, queres ser padeiro, estás a treinar."

J.D. Duarte: "Eu não devo nada a ninguém. A única coisa que devo é dinheiro."

Filme

“Balas & Bolinhos 3”: Rato, Tone, Culatra e Bino morrem aqui?

Estreia a 6 de Setembro "Balas & Bolinhos - O Último Capítulo", filme que encerra a primeira trilogia do cinema português. Estes criminosos com pouco tento na língua já são quase profissionais

Texto de Amanda Ribeiro • 28/01/2012 - 10:34

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A t-shirt do Bino já dava um filme. Conhecer a história da t-shirt do Bino é perceber o fenómeno "Balas & Bolinhos". Expliquemos. Em 2000, o primeiro "Balas" estava cá fora e foi uma verdadeira reunião de amigos. O guarda-roupa era o que andava lá por casa e, ao mais tácito do grupo, calhou a t-shirt azul com um tubarão, comprada por Luís Ismael aka Tone naquela loja dos centros comerciais que tem um urso à porta.

 

Em 2004, chega "O Regresso", uma caça ao tesouro, verdadeiro Indiana Jones à portuguesa. Antes das filmagens, os autores decidiram que todos mudariam de farpela (ou ficariam mesmo sem ela), mas não Bino, que continuaria condenado a tamanha indumentária. O problema era saber onde é que teriam guardado a t-shirt. Veio a ser descoberta mais tarde, na serralharia do irmão de Jorge Neto (Rato), onde esteve três anos a "estagiar" como auxiliar de limpeza de óleo.

 

Em "O Último Capítulo", que encerra a trilogia, a t-shirt foi tratada como uma rainha, um autêntico "espólio de museu". Depois da lama e da água do segundo filme, receava-se que se desintegrasse. Bino (João Pires) teve de vestir outra t-shirt por baixo para a proteger, todos os dias era guardada em máxima segurança. J.D. Duarte, mais conhecido por Culatra, o verdadeiro cérebro das operações, chegou mesmo a contactar o fabricante no Canadá, na esperança de conseguir uma cópia da peça VIP. Em vão: "Deus criou a Monica Belucci e depois deitou o molde fora. A t-shirt do Bino foi a mesma coisa."

 

A t-shirt do Bino já dava um filme, mas esta é a sua história verídica. Luís Ismael, actor e realizador, e J.D. Duarte, actor e produtor, estão numa das salas da Lightbox, a produtora que criaram, a recordar a história. Quase choram a rir. E no terceiro filme? O que acontece à t-shirt? "Sobreviveu e está bem de saúde! Um dia ainda vai para uma exposição", garante Luís Ismael.

 

Antes da reforma

Doze anos depois, continuam as gargalhadas e, principalmente, a "vontade de fazer filmes", aquilo que verdadeiramente os move. Com estreia marcada para 6 de Setembro, o último filme da saga mostra Rato, Tone, Culatra e Bino envolvidos "na alta roda da espionagem internacional". "O Último Capítulo é uma mistura de filmes de artes marciais com o James Bond e a Missão Impossível", conta o realizador. Nele, estes criminosos "à portuguesa" já são quase, quase profissionais. Estão mais maduros, mas "não há rendição possível", garante J.D. Duarte. "A pior coisa que poderíamos fazer era dar-lhes um final Walt Disney", acrescenta Luís, atirando alguns - hilariantes - finais alternativos (ouvir som à esquerda).

 

O enredo mantém-se no segredo dos deuses. O que se sabe: há mais personagens, algumas desempenhadas por nomes bem conhecidos do grande público, como Jel, Fernando Rocha, Francisco Menezes e, até, Jason Ninh, actor vietnamita que entrou em "Snatch - Porcos e Diamantes", mas também por fãs que compareceram aos castings; Foi filmado em ultra alta definição, em vários pontos do país, e também lá fora, já para piscar o olho à possível internacionalização; Não obteve apoios financeiros, mas apenas logísticos, contando com um orçamento de 500 mil euros, suportados pela Lightbox; Entra um porco, que "vai ser uma vedeta", mas foi recusado por um jardim zoológico no minuto em que foi dado a conhecer o filme em que tinha trabalho. É o "preconceito" em relação ao "nefasto" nome "Balas & Bolinhos", dizem.

 

Este género de comédia sem freio, em que a linguagem quer-se "autêntica e verdadeira" ("Eu não estou a ver alguém a ficar chateado e a dizer 'bolas, pá'") pode gerar algumas inimizades. "Muitos gostam de ver, mas não assumem. A única coisa que queremos é fazer filmes e divertir as pessoas. Já existe tanta gente a fazer cinema de autor, a querer ser o próximo génio do cinema português, a preparar-se para assumir o papel do Manoel de Oliveira", desabafa Luís.

 

A seu favor têm os números: em 2004, com seis cópias do segundo filme em todo o país, atingiram os 58 mil espectadores, algo brutal para um projecto independente. Em 2010, quando a SIC Radical voltou a exibir os filmes, os dois somaram mais de 600 mil espectadores. Desta vez, com nove meses de antecedência, a Lusomundo decidiu começar a exibir o "teaser" (vídeo acima) e já demonstrou interesse em ter "O Último Capítulo" em, pelo menos, 30 salas, com a expectativa de alcançar 200 mil espectadores. "O terceiro Balas só existe porque fomos muito acarinhados pelas pessoas. Este filme é a melhor coisa que podemos fazer para os fãs da série. É um grande obrigado a quem manteve o filme vivo", diz o realizador.

 

Rato, Tone, Culatra e Bino morrem aqui, para algum desgosto de Luís Ismael, que cresceu no cinema a vibrar com o conceito de "personagens" e "heróis". Fica, no entanto, uma ressalva do próprio, citada textualmente para não deixar dúvidas: "Se, algum dia, lá por volta dos 60, 70 anos, ainda tivermos boa disposição e não tivermos umas barrigas opulentas de podres de ricos que vamos ficar, poderemos, se ainda estivermos os quatro dentro do prazo de validade, fazer o "Balas & Bolinhos - A Reforma". Nós de andarilho e algália. Isso era giro, reactivar assim as personagens." Pode ser uma esperança.

Eu acho que

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Ilustração P3

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