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Nuno Custódio foi o protagonista de "Comando"

Nuno Custódio foi o protagonista de "Comando" DR

O argumento esteve a cargo de Sonat Duyar e só surgiu depois de os recursos materiais e humanos estarem reunidosDR

New Light Pictures

Filme

"Comando", a curta em que o actor é o vizinho do realizador

“Comando” arrisca-se a ser a curta-metragem portuguesa mais amadora, mas com o resultado final mais profissional de sempre

Texto de Daniel Cerejo • 10/12/2011 - 11:46

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Foi uma corrida desenfreada contra o tempo. Numa segunda-feira disseram à equipa da New Light Pictures que, no domingo seguinte, teriam acesso a réplicas de armas e a equipamento militar, tudo fruto da boa vontade de alguns amigos – praticantes de “airsoft” – de Sonat Duyar, um dos realizadores de “Comando”.

 

Abre parêntesis. A curta-metragem é portuguesa, a produtora, apesar do nome “americanizado”, também, e não se deixem enganar pelo nome do realizador, pois ele é “portuguesinho da Silva”, apenas tem ascendência turca.

 

Nada que o impeça de viver em Almancil, no Algarve. Não só a ele, mas também aos outros cerca de dez membros que integram a New Light Pictures e que fizeram parte da equipa que esteve na origem de “Comando”. Importa referir que ao lado de Sonat Duyar, também sentado na cadeira de realizador, esteve Patrício Faísca, o fundador da produtora. Fecha parêntesis.

 

“Durante esse muito limitado [período de] tempo tivemos de arranjar uma ideia para fazer um filme. Tínhamos armas, tínhamos uniformes, pensámos: vamos ter de fazer um filme de guerra”, revela Duyar, em entrevista ao P3, via Skype.

 

Ou seja, os recursos estavam lá, mas continuava a faltar um detalhe: o cenário. “Não é fácil ter edifícios destruídos e elementos a arder gastando 27 euros” (sim, foi apenas esse o dinheiro gasto durante a produção de “Comando”, curta-metragem que venceu prémios no Shortcutz de Lisboa e do Porto, que foi considerada o melhor filme do 9º Festival Internacional de Cinema de Arouca e que “só” já anda na boca de meio mundo, lá fora).

 

O corpo é que paga

De facto, 27 euros não permitem criar nenhum cenário de guerra, muito menos se dissermos que foram investidos em envelopes, na produção de sangue falso e em arame farpado. Bem, o arame farpado já serviu para qualquer coisa, em específico para decorar o verdadeiro “set” de filmagem, gratuito, mas que custou muito suor: a trincheira.

 

Há quem diga que, durante quatro dias, quem mais cavou foi Sonat. “Eu, pessoalmente, não me conseguia mexer ao fim de três dias”, diz Duyar, que, na realidade, teve a ajuda de mais duas pessoas, mas, ainda assim, afirma que “foi uma ideia absurda”. Contudo, talvez a única que permitiu aos actores de “Comando” percorrerem o cenário sem terem de mostrar o que se passava fora da trincheira.

 

Mas se não havia meios para criar um “set” mais ambicioso, o mesmo se passou com os actores. Sonat Duyar foi o responsável pelo “casting” e até mesmo ele teve de fazer uma perninha como personagem secundária. Já o papel principal coube ao seu vizinho de cima, Nuno Custódio.

 

Só depois de tudo isto é que surgiu o argumento, também a cargo de Duyar, e é aqui que, finalmente, entram os envelopes. “Comando” consiste na história de um soldado encarregado de entregar uma mensagem a quem quer que esteja no comando de uma resistência montada numa trincheira, em contexto de guerra. Agora já se sabe para que é que serviu o sangue falso…

Comentários

    Jorge Costa

    10/12/2011 - 15:53

    Excelente! O que mais espanta é o contraste flagrante entre a escassez de meios utilizados e o produto final de alta qualidade. Isto comprova que em qualquer projecto, o dinheiro a investir não é a variável mais importante da equação a resolver. `A frente estará sempre a inteligencia do autor, o espírito de equipa e sacrifício dos intervenientes. Assim tivesse acontecido com os nossos (ex)governantes, com optimização dos meios e recursos públicos, inteligencia nos investimentos, contenção financeira adequada e respeito pelos contribuintes, e de certeza que agora não seria necessário despedir pessoas ou cortar subsídos, para sairmos do buraco aonde caimos.

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