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Economista, André Ferreira é cinéfilo inveterado com uma queda pelas letras

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O Excerto

"Numa opinião pessoal, é um filme que merece ser visto. A banda sonora é a cereja no topo de um delicioso bolo de cinema bem feito e pessoal. É um filme que toda a audiência vai perceber, pessoalmente."

Crónica

"Begin Again": a música explica e cura tudo

O filme trata, principalmente, de como duas pessoas, completamente diferentes, encontram força uma na outra, na música, a sua paixão comum

Texto de André Ferreira • 10/11/2014 - 17:21

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Será que Keira Knightley sabe cantar? E Adam Levine (Maroon 5) actuar? Duas questões pertinentes, que se  relacionam com a questão do realizador John Carney estar a repetir os trunfos. 

 

"Begin Again" trata, principalmente, de como duas pessoas, completamente diferentes, encontram força uma na outra, na música, a sua paixão comum. De como são reabilitadas emocionalmente e assim atingem a paz pessoal. 

 

Keira Knightley, uma das personagens principais, principalmente conhecida pela icónica Elizabeth em "Pirates of the Caribbean", e pela preferência de escolha por papéis em filmes de época ("Pride and Prejudice" de Jane Austen, "The Duchess", "Anna Karenina"), já antes tinha dado mostras de um carácter artístico multifacetado. Nomeadamente no filme "The Edge of Love", onde primeiro nos é dada a conhecer no metro de Londres, cantando em pleno bombardeamento durante a segunda guerra mundial.

 

No entanto, aqui, num filme citadino que procura explorar as pérolas da cidade de Nova Yorque em momentos e localizações regadas a musica e sol, Keira assume o papel de Gretta, a namorada artista/compositora de uma estrela em ascensão (Adam Levine, Maroon 5), também ele artista/compositor.  

 

Uma namorada que, perante as drásticas mudanças na vida e na personalidade do namorado, fica destroçada, prestes a deixar a cidade. No entanto, antes que o possa fazer, por raiva ou curiosidade, aceita o convite de um lendário produtor (Mark Ruffalo), perdido, esmagado pelo peso dos seus próprios problemas, para gravar um álbum com ele. Mark Ruffalo interpreta Dan, a outra personagem principal, um homem que se perdeu aos olhos dos outros e dele próprio, no sufoco da vida pessoal.

 

Recriminações

Curiosamente, e numa jogada ousada pelo realizador John Carney (principalmente conhecido por "Once", o filme de baixo orçamento que arrecadou o Óscar de melhor música original há uns anos), em "Begin Again", o primeiro arco consiste na mesma cena, mas da perspetiva de cada uma das personagens principais. Explica como na cidade que nunca dorme eles encaixam perfeitamente nas necessidades um do outro, ainda que a profundidade, a verdadeira razão para tal acontecer só se mostre no resto do filme. Para os mais atentos, é uma formula mágica repetida pelo realizador, mas emocionalmente melhor conseguida que a original. 

 

Concretamente, trata de como uma relação falhada. Da premissa de que, mesmo sem culpa, quando a relação acaba, existe recriminação e uma sensação de que, de alguma forma, a origem de todos os problemas é a parte que fez tudo para que essa mesma relação desse resultado. De como sem justificação plausível existe uma força interior que justifica uma punição emocional. A sensação de que não há nada a que aspirar, nem futuro certo. O filme mostra o buraco no peito que fica sem ser merecido e que é transversal a toda a humanidade, intemporalmente. 

 

Mostra, também, a expiação desse sentimento, que é variada, e muitas vezes nunca encontrada, mas aqui, numa Nova Yorque solarenga, depois de um primeiro e significativo dia (encenado de manhã até à noite, reforçando a espiral descendente das personagens), a música explica e cura tudo, dá força e traz clareza sobre o que pode ser reabilitado e sobre o que deve ser deixado para trás. 

 

Este é um filme que merece ser visto. A banda sonora é a cereja no topo de um delicioso bolo de cinema bem feito e pessoal. É um filme que, pessoalmente, toda a audiência vai perceber. 

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