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Paulo Rodrigues Ferreira

Paulo Rodrigues Ferreira, 29 anos, bolseiro de doutoramento e co-proprietário da Fyodor Books.

O excerto

Há uma altura em que aquela dor insuportável permite que se sorria, que a pessoa presa ao fundo do mar volte a esbracejar e regresse à superfície, primeiro para reaprender a respirar, depois para ser mais uma entre muitas criaturas obrigadas a sobreviver. Mas quando chega essa altura?

vana/flickr

Crónica

O sentido da vida

O sentido da vida está inteiramente ligado aos sonhos e à esperança. Não se trata apenas de fugir à dor

Texto de Paulo Rodrigues Ferreira • 21/07/2014 - 17:24

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Para onde vão os nossos entes queridos quando morrem? Voltaremos a ver o gato que nos acompanhou durante cinco anos e que tanta falta nos faz? Como substituir uma pessoa desaparecida por outra? Ou melhor, como criar espaço num coração escavacado pela perda de um filho falecido por qualquer outro tipo de amor? Em que momento é que a dor se transforma em paz? Há uma altura em que aquela dor insuportável permite que se sorria, que a pessoa presa ao fundo do mar volte a esbracejar e regresse à superfície, primeiro para reaprender a respirar, depois para ser mais uma entre muitas criaturas obrigadas a sobreviver. Mas quando chega essa altura?

 

Filmes como “2001: Odisseia no Espaço” (1968), de Stanley Kubrick, “Árvore da Vida” (2011), de Terrence Malick, ou “O Mentor” (2012), de Paul Thomas Anderson, destroçam-nos. São filmes que nos fazem perceber que somos pequenos, demasiado pequenos para um universo tão vasto e antigo, e que por isso o sentido da vida não mais é do que um conjunto de fantasias que decidimos alimentar para não nos deixarmos cair no mais escuro buraco.

 

No filme de Kubrick recuamos ao tempo em que o homem ainda não era homem e depois voltamos ao tempo em que o homem virou astronauta e nada percebemos a não ser que estamos condenados a lidar da melhor forma que soubermos com a indiferença com que a natureza nos trata.

 

No filme de Malick há o passado e o presente. Uma mãe perde um filho e chora a Deus. Um irmão chora o seu irmão. Passaram-se quantas décadas desde que aquele irmão morreu ou desde que aquele irmão chora pelo morto? Regressamos às origens do mundo e não há nada que nos faça compreender o nosso sofrimento. Aceitar a passagem do tempo e o gradual atenuar do sofrimento, mas o que fazer se não nos conseguirmos libertar das memórias do passado? Joaquin Phoenix é uma espécie de louco no filme de Paul Thomas Anderson, uma espécie de louco que não consegue ser fiel a nada, só à ideia de liberdade. Está no mundo para ser livre. Quando lhe emprestam uma mota, sente-se tão livre que foge. Mas fugir de quê e até quando e com que grau de loucura?

 

O sentido da vida está inteiramente ligado aos sonhos e à esperança. Não se trata apenas de fugir à dor. Ser livre é dizer sem vergonhas aquela frase de Twin Peaks: "Fire walks with me." Como é que caminhamos com o fogo das ilusões de grandiosidade e abdicamos de um passado de angústia? Antes de mais, é necessário aceitar a realidade. A nossa realidade só melhora se a aceitarmos, se vivermos no presente. Esta é uma escolha que podemos fazer. Evito o “aqui e agora” dos livros de auto-ajuda. Viver no presente implica apreciar as pequenas coisas, apreciar os amigos, criar relações de empatia. Os nossos sonhos não se concretizam em solidão e o sofrimento precisa de companhia para desaparecer. A solução passa por dar valor aos outros. "Olá, como estás?", com isto podemos fazer novas amizades e salvar-nos do desespero.

Eu acho que

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