Orienta-te Redes Sociais
Rute Martins

Rute Martins tirou mestrado em Comunicação Estratégica e adora viajar, principalmente quando há dinheiro para isso

Excerto

'Decerto que os tempos que correm são diferentes dos de outrora, sem toda a pressão a girar sobre nós. E por isso penso que a minha geração — e posteriores — é desprendida, uma geração rebelde, das relações fugazes, em busca de visões sobre o nosso futuro profissional e afectivo, por vezes assustador. E se alguém sofrer por amor, eu considero um sortudo, porque a maioria dos nossos sentimentos estão adormecidos. Aliás, quem ainda sabe o que é essa coisa antiga de “sofrer por amor”?'

DR

DR

Crónica

Já não vejo comédias românticas

Canso-me do amor que acontece sempre à primeira vista, dos clichés, dos finais que são obrigatoriamente felizes num estalar de dedos. Já não vejo comédias românticas, daquelas que alimentam a ideia cor-de-rosa, que nos deixam cansados de tanto desejar que realmente fosse assim.

Texto de Rute Martins • 16/12/2013 - 17:02

Distribuir

Imprimir

//

A A

Dizem que ficamos frios com a idade e eu já vi que sim, mas também já vi que não. Tudo depende do que já rimos, do que já chorámos e de como nos deixamos moldar por cada pessoa com quem nos cruzamos. Já não vejo comédias românticas, a não ser que valham realmente a pena – principalmente se o enredo for “algo completamente diferente”. Percebo que as pessoas queiram algo irreal, um cenário perfeito, vislumbrando o que as suas vidas podiam ter sido. Porém, recuso-me a viver na ilusão quando posso ter a realidade que é a vida, com tantas emoções como num filme.

 

Não percebemos, tão embrenhados no nosso quotidiano aborrecido e veloz, mas a nossa vida também pode ser digna de filme. A minha. A tua. E umas dignas de Óscares. Mas canso-me do amor que acontece sempre à primeira vista, dos clichés, dos finais que são obrigatoriamente felizes num estalar de dedos. Já não vejo comédias românticas, daquelas que alimentam a ideia cor-de-rosa, que nos deixam cansados de tanto desejar que realmente fosse assim.

 

Culpo esta ideia de Hollywood por nos ter deixado assim, frios, — e acredito que ainda somos alguns — por fazer as pessoas acreditarem que se não encontrarem ninguém até aos 26 são uma anomalia da Natureza. Termos alguém é, de facto, um sentimento que nos preenche e dá vida, mas temos cada vez mais pressa, mais pressão para sermos perfeitos fisicamente. Não ter ninguém não faz mal, não temos de cozinhar a mais, não temos o desejo de mudar ninguém. Por vezes sinto as pessoas perdidas no vazio que toda esta evolução sufocante transporta. A velocidade da vida parece cada vez mais rápida, conhecemos tantas pessoas todos os dias que nos perdemos em quem somos realmente, preocupados com o que os outros pensarão de nós.

 

Decerto que os tempos que correm são diferentes dos de outrora, sem toda a pressão a girar sobre nós. E por isso penso que a minha geração — e posteriores — é desprendida, uma geração rebelde, das relações fugazes, em busca de visões sobre o nosso futuro profissional e afectivo, por vezes assustador. E se alguém sofrer por amor, eu considero um sortudo, porque a maioria dos nossos sentimentos estão adormecidos. Aliás, quem ainda sabe o que é essa coisa antiga de “sofrer por amor”?

 

Já não vejo comédias românticas porque quase me são indiferentes, porque me cansei da ilusão, pelo que foi, pelo que já não volta a ser, por tanta coisa. Mas prometo que irei estar atenta ao que estrear nos cinemas.

Eu acho que

Pub

Videoclipe.pt

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Perfil

Aos 26 anos, foi parar a uma cadeira de rodas, mas isso não a travou. Entre o desporto e a Medicina, Catarina Oliveira criou no YouTube o canal C Feliz para...

A realidade nua e crua de um parto...

Fotografia // "Alerta: um parto é acontecimento bonito, mas é também turbulento e...