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Júlio Resende
Texto de Natália Faria • 21/09/2011 - 11:46
Já lhe chamaram o maior pintor português de sempre. Aos 90 anos, Júlio Resende continua inquieto. Mais na cabeça do que na tela porque, para isso, as forças já não chegam. E as suas mãos já não são deste tempo.
No atelier de Júlio Resende não bate o sol. O pintor explica que a luz em excesso deturpa as cores na tela. O rio Douro não se vê - adivinha-se, ao fundo.
O que se vê por uma parede envidraçada é um jardim com metros quadrados suficientes para albergar um diospireiro e um melro-preto. Não há sinais dele durante a conversa. Se calhar por ser demasiado cedo.
Júlio Resende sempre gostou das manhãs por causa da expectativa que estas lhe trazem. Cartoonista, autor de histórias aos quadradinhos e ilustrador, além de pintor, dobrou em Novembro a esquina dos 90 anos.
Uma semana depois, deram-lhe como presente uma morada definitiva para a sua "Ribeira Negra", que esteve anos a ganhar poeira num armazém. Agora, pode ser vista no edifício da Alfândega do Porto. Agora sim, o homem a quem um acidente nas falangetas impediu de se tornar pianista, diz-se feliz.
Ainda instintivo, ainda inquieto, gostava que a casa que construiu para si lhe servisse de epitáfio. E gostava, sobretudo, de ainda ter forças para pintar um quadro grande antes de concordar com a iminência da morte.
Duvida da pertinência da sua voz e não percebe porque teimam em pôr-lhe gravadores à frente. Homem dado a inverter a ordem estabelecida, é ele que arranca com a entrevista. "Não sei por que me querem entrevistar..."
Lê a entrevista no PÚBLICO