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Entrevista

Sara-a-dias, a vida dela é igual à nossa e dava um bom filme

Tem o cabelo encaracolado, mas não tem o cabelo encaracolado. Tem uma cadela que se chama Maria e de vez em quando escorrega na casca de banana. Sara-a-dias não existe — Sara Osório também não

Texto de Luís Octávio Costa • 22/08/2012 - 16:13

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Sejamos sérios. Sara Osório não tem o cabelo encaracolado e tem um Tumblr, um diário da vida de Sara-a-dias. Sara-a-dias tem um telemóvel que já caiu na sarjeta, tem a cadela Maria — e licença para matar pulgas —, tem uma vida igual à nossa (atura o maluco da rua, aventura-se nos saldos, embrulha-se com multas de estacionamento, envelhece e tem uma wishlist gigantesca) e um sonho diferente dos nossos. "Ainda sofro por não ter ganho o Sponge Bob médio, na feira, a fazer tiro ao alvo com uma pistola de pressão".

 

A Sara Osório é igual à Sara-a-Dias?

Sou alvo de críticas porque, fisicamente, o encaracolar do meu cabelo fictício não corresponde à verdade (com muita pena minha). A respeito das peripécias diárias, todas elas são situações verídicas, o que me leva a ouvir várias vezes: "só contigo, Sara!".

 

Multas de estacionamento, saldos, metro superlotado, o telemóvel na sarjeta, cascas de banana… O mundo real é assim tão cruel?

Acho que o universo me escolheu para ultrapassar os desafios mais impensáveis do dia-a-dia. Ou pelo menos, é assim que os vejo. O telemóvel caído na sarjeta é só um exemplo disso. Apesar do episódio, a história ainda consegue ter um final feliz: com a ajuda do "senhor da ferramenta", e depois de dez riscos no visor, consegui reavê-lo. Por essa razão, tenho o privilégio de tirar partido destes momentos, sem achar que é cruel o que me acontece. Prefiro passá-los para o sara-a-dias, rir e pensar que, por vezes, a minha vida até daria um bom filme ou um bom livro (sugestão, à parte. ahah).

 

Qual o papel da Maria neste diário?

A maria, a minha cadela, tornou-se a mais recente companheira nestes apontamentos diários. É fruto de uma relação fugaz entre rafeiros e não consegui resistir ao "slow motion" dos primeiros dias de vida dela. Foi adoptada há cerca de quatro meses e a sua presença só veio reforçar a atracção que tenho pelo caricato. Com ela, já sou "perseguida" por uma fã dos seus 70 anos, muito simpática. Oiço-a chamá-la a quarteirões de distância e, mal a vê, pede-me para a colocar no parapeito da janela (quase acima da minha cabeça) para a cumprimentar.

 

Andas a arranjar tempo para salvar o mundo?

Para o entreter, talvez. Ainda não arranjei tempo para criar flyers tão poderosos que resolvam tudo assim tão rapidamente.

 

Os adultos acham que és demasiado velha para gostar do Sponge Bob Square Pants?

A última vez que a minha avó visitou a minha casa, disse: "está tão bonita. é só bonecada!". Quem me conhece, sabe que sou uma eterna apaixonada por ilustração, livros infantis e cinema de animação. Se me conhecerem, também saberão que ainda sofro por não ter ganho o Sponge Bob médio, na feira, a fazer tiro ao alvo com uma pistola de pressão. (oito euros em vão. ainda não foi desta que o trouxe para casa).

 

A Sara-a-Dias anda à procura de outro emprego?

Nunca o "forward" foi tão utilizado. São centenas, os emails, que seguem com o meu currículo. No entanto, já devo ser considerada "SPAM" em muitos correios electrónicos. Ainda mantenho a esperança de, um dia, conseguir viver da ilustração. Por agora, vou alimentando, a pinhas e lenha, a "chama" da criatividade. (que piroseira).

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