As belas, bravias e invulgares gentes e montanhas do Gerês

autoria Ana Marques Maia

// data 21/11/2017 - 11:56

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As montanhas cercaram as gentes do Parque Nacional da Peneda-Gerês e moldaram-nas à sua semelhança: elas são belas, bravias, invulgares, carregadas de misticismo e espiritualidade. "A Natureza produz homens, e os homens transformam a Natureza: gente que molda a paisagem, paisagem que molda gente", romantiza o fotógrafo lisboeta Bruno Simões Castanheira, membro do colectivo 4SEE Photographers. "É um lugar perfeito, a morada ideal, onde ultrapassamos a imperfeição da existência", garante o autor do projecto Lugares de Silêncio, presentemente em exposição na Biblioteca António Rosa Mendes, da Universidade do Algarve.

 

Durou três meses a incursão de Bruno pelos três concelhos do distrito de Viana — Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca — em busca "de vestígios de uma sociedade e economia rural que se encontra em vias de extinção", mas que pode ainda ser encontrada nas aldeias de Castro Laboreiro, Peneda, Soajo, Lindoso, Ermida ou Germil. "O isolamento, o clima severo e a orografia formaram o carácter das pessoas da região", explicou Bruno Simões Castanheira em entrevista telefónica ao P3. O que se traduz nos hábitos das pessoas, "nas práticas de transumância, na vida com os animais, no cultivo dos campos, nos usos do espaço da casa e da rua". A população, reduzida e envelhecida, dedica-se ainda à agricultura de subsistência e à criação de animais; acorda com o nascer do sol e dedica o dia à lavoura. "As pessoas destas aldeias ainda cumprem rituais pagãos, místicos, que surgiram há muitos anos", descreve. "O culto da morte é muito presente; os cemitérios estão cheios, as aldeias e lugares estão vazios. Daqui a 20 ou 30 anos, aqueles espaços podem estar desertos. É importante registar o que resta desse modo de vida."

 

A exposição estará patente em Faro até dia 2 de Dezembro; dali seguirá para Lagoa, onde poderá ser vista entre o dia 5 de Dezembro e 16 de Janeiro de 2018. Bruno Simões Castanheira, residente em Milão, venceu o prémio de fotojornalismo Estação Imagem nos anos de 2013 e 2015 e foi premiado com a bolsa do mesmo concurso no ano seguinte. O seu percurso profissional é marcado pelo tema da crise económica, que procurou retratar nos países mais afectados por ela, tais como Portugal, Itália e Grécia.

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