A vida dentro de "casas-caixão"

autoria P3

// data 06/09/2017 - 10:12

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Ser testemunha das condições de vida de alguns dos habitantes de Hong Kong pode ser uma experiência perturbadora. Foi para Benny Lam, certamente. O termo "casa-caixão" foi mesmo empregue pelo fotógrafo, em entrevista à National Geographic, em Julho de 2017. "Senti-me muito mal. É como viver numa casa-caixão", explicou à revista. "Isso nunca deveria ser considerado normal." Em Hong Kong vivem cerca de 7,5 milhões de pessoas; 200 mil vivem em espaços que têm entre 1,5 e nove metros quadrados. Não existe praticamente terra disponível para construção, motivo por que se deu um fenómeno de sobredivisão espacial e de inflacção imobiliária que deixou uma fatia da população sem alternativa senão adaptar-se à vida em espaço exíguo. "Trapped" — termo que tem inúmeras traduções em português, como confinado, engaiolado, enclausurado — é o nome da série de fotografias de Lam. "Porque é que devemos importar-nos, se estas pessoas não fazem parte das nossas vidas?", pergunta Lam na sua página de Facebook. "É uma questão de dignidade humana", responde. "Estas são as pessoas que fazem parte das nossas vidas todos os dias: servem-nos em restaurantes e cafés, são seguranças nos centros comerciais que visitamos, são os empregados de limpeza ou os estafetas que percorrem as mesmas ruas que nós todos os dias. A única diferença entre nós e eles é o sítio onde vivemos." Existe uma imagem em particular que impressiona o fotógrafo (, a número oito desta fotogaleria). Nela figura um homem deitado na cama que não tem espaço suficiente para esticar as pernas; os seus joelhos dobrados tocam as paredes do seu cubículo. Come feijão em lata - que é o seu jantar - e vê televisão enquanto a sua roupa lavada seca pendurada no tecto rebaixado. Lam refere no artigo da National Geographic o sentimento de gratidão que tem para com aqueles que lhe abriram a porta de sua casa, mesmo que com vergonha, e sublinha a necessidade de intervirmos todos para que se crie uma situação de maior igualdade em Hong Kong.

Eu acho que