Ema, Conceição e Camilla: três vidas à janela

autoria Marcela Monteiro

// data 28/08/2017 - 11:43

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Ao andar pelos bairros mais antigos do centro de Lisboa, Camilla Coss constatou rapidamente que a cidade é quase toda feita de luz, ladeiras e janelas, e que, nas janelas, é muito comum encontrar alguém a observar o movimento da rua e o passar vagaroso do tempo. Na Calçada dos Barbadinhos, em Santa Engrácia, ao lado de uma escola de fado desactivada, onde resiste um letreiro a anunciar aulas que há muito não são dadas, todos os dias de manhã, quem passa poderá encontrar Ema Dias à janela da casa onde nasceu e foi criada.

 

“Naquele tempo, não havia estas coisas de hospital: Nasci mesmo aqui, nesta casa”, conta com os cotovelos apoiados no parapeito. Não diz quantos anos tem, mas devolve uma pergunta: “Nasci em 1930, quantos anos tenho?” Depois de uma certa idade, já não vale a pena fazer contas. De qualquer forma, em Outubro, a D. Ema fará 87 anos. E está tudo bem? “Ora, tem que estar. Se não estivesse, qual era o remédio?”

 

A viver há seis meses a Lisboa, Camilla Coss tem imortalizado este e outros momentos. Com 22 anos, a estudante brasileira chegou à cidade para fazer um intercâmbio e a experiência tem sido tão boa que decidiu estender o período por mais um semestre. No Brasil, além de estudar publicidade, Camila trabalhava muito e, apesar de sempre ter gostado de desenhar e escrever, sentia-se bloqueada e pouco criativa. Quando chegou a Portugal, a jovem percebeu logo que havia algo peculiar no cenário urbano de Lisboa: as janelas e os seus habitantes. Rapidamente, começou a passar para o papel aquilo que fotografava com os olhos e assim surgiram as Janelas Lisboetas, uma série de ilustrações em tinta da china que eternizam pessoas que, assim como Ema e a vizinha Conceição, fazem questão de passar alguns minutos à janela todos os dias.

 

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