E se as pesquisas no Google estivessem nas nossas ruas?

autoria Amanda Ribeiro

// data 28/08/2017 - 18:32

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Googling surgiu "navegando". Barato, artista português a viver no Porto que prefere manter-se no anonimato, procurava no motor de busca imagens de artistas que aprecia. Até que as composições gráficas que surgiam durante o tempo de carregamento das imagens lhe chamaram a atenção. Desatou a captar os padrões com printscreens e daí a forçar pesquisas para obter certas cores. "'Blue Klein', por exemplo, dá sempre resultados fantásticos entre o [azul] Blue Klein e o Branco. Ou procurando por 'nevoeiro', 'neve', 'fogo'", explica o criativo por email ao P3. Perseguia "imagens minimalistas com pequenas variações da mesma cor", bem ao estilo do pintor Mark Rothko. O foco não eram as palavras das pesquisas, antes a composição gráfica. Depois de trabalhar as imagens digitalmente, decidiu imprimi-las e colocá-las nas ruas. Como se fossem novos Mondrian. "Uma intervenção já desprovida de qualquer mensagem ou palavra, mas que pretendo que funcione para o embelezamento do espaço público", diz. Porto, Braga, Londres e Amesterdão foram algumas das cidades que receberam algumas destas imagens em expositores de publicidade, ainda por um curto espaço de tempo. Esta é uma das poucas obras de Barato que parte da Internet para o mundo. Geralmente, prefere "trabalhar longe do mundo digital, com materiais simples e sempre que possível reciclando". Dedica-se a "projectos de baixo custo", tentando "ocupar e interpretar o espaço urbano com pequenas intervenções que levem à reflexão e a uma reinterpretação das cidades". É o caso da série de autocolantes GOOD e de Kashine e o NÃO, assentes num projecto maior chamado Words In The City. "Gosto de trabalhar este conceito das 'palavras pela cidade', que normalmente faço com palavras muito pequenas que têm normalmente um grande poder." Nota-se.

Eu acho que