Gaia Todo Um Mundo: a arte urbana é universal

autoria Ana Rita Carvalho

// data 15/06/2017 - 18:47

// 2723 leituras

Pneus em paredes, um coelho reciclado ou um barco rabelo em pedaços são apenas algumas das obras patentes na primeira edição do Gaia Todo Um Mundo — um festival que tem como temática as alterações climáticas. São mais de 200 intervenientes, oriundos dos cinco continentes, para participarem em mais de 70 acções de “sensibilização e alerta”. A animação faz parte do fórum, com apresentação de espectáculos, encontro de coros e sessões de contadores de histórias.

 

Existem rotas de activistas e marionetas, de petiscos e arte por toda a cidade — esta é uma forma de possibilitar a todos os visitantes uma maior interacção com a temática do projecto. A área de arte urbana (rota sustentável), com a curadoria de Miguel Januário e Lara Seixo Rodrigues, conta com artistas com um “vasto historial de trabalhos na área do ambiente”.

 

Tendo sempre como base o desenvolvimento sustentável, são várias as obras patentes no Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, algumas permanentes, outras passageiras, até porque “a street art tem sempre a efemeridade como inimiga”. Os artistas, nacionais e internacinais — Cumul Collective, Bordalo II, Isaak Cordal, Pascal Ferreira, Pastel, Mariana, a Miserável, Marco Mendes, Nicolau e o próprio Miguel Januário — pintam paredes e escadas, ilustram vazios, fazem esculturas, sobem gruas, criticam e manifestam-se.

 

“Precisámos desta linguagem cá, destes recursos, da borracha, do lixo excedente que é, de algum modo, o que causa a subida das águas, das temperaturas. Precisámos de ter consciência”, justifica Miguel Januário, em conversa com o P3. Os espaços, cedidos pelos moradores, ganham cor e dinamizam a cidade. “Entre a Câmara Municipal de Gaia e a organização do GTM fez-se um esforço para que os moradores percebessem a ideia e aceitassem ver as suas paredes alteradas”, revela o artista, responsável pelo projecto ±MAISMENOS±.

 

As obras encontram-se um pouco por todo o lado, nos sítios mais improváveis, “nos lugares mais trapaceiros”, com estilos únicos e particulares. “Quando eu e a Lara começámos a estudar os artistas que deviam vir cá, ter um leque muito alargado de estilos e visões foi uma das nossas primeiras premissas”. O objectivo é que o GTM se torne um festival universal: “Pretendemos juntar, no mesmo espaço, visões e opções de vários continentes, de vários países”.

 

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