Na China, um cibercafé é como uma segunda casa

autoria Ana Marques Maia

// data 10/03/2017 - 14:13

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Na China, apesar de a típica família de classe média ter um computador com acesso à Internet em casa, a existência e frequência de cibercafés ainda é comum. "Porque a Internet precedeu os jogos electrónicos, os dois tornaram-se inseparáveis", explicou o fotógrafo português Wu Jingly ao P3, via email. "Há cada vez mais pessoas a frequentar os cibercafés com o intuito de encontrar companheiros de jogo." Os cafés podem ser caóticos, barulhentos, lugares "onde as pessoas jogam inescrupulosamente" — como fariam a sua própria casa. Restos de comida, cadeiras suadas, sestas inesperadas, animais, pornografia, tudo é possível. Apesar das restrições no acesso à informação via internet estipuladas pelo governo chinês, o cidadão comum "não sente falta do contacto com canais ou notícias internacionais", explica Wu Jingly. "A rede é vocacionada para os jogos online, sobretudo; em segundo lugar, para o comércio online. Na China, o uso da internet dirige-se principalmente ao consumo doméstico e interno." As apostas e os jogos em rede são um problema visível nesses locais. "Há muitas pessoas que vêem a sua vida a regredir, graças ao jogo virtual: muitas desenvolvem uma adicção e gastam fortunas, perdem a noção do tempo." Foi graças à influência da fotógrafa portuguesa Anabela Pinto, que Wu Jingly conheceu durante um workshop da agência Magnum, que desenvolveu o projecto "Chinese Time Network Life", que foi recentemente distinguido pela Lens Culture, através do concurso Exposure.

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