A vida suspensa do Museu de História Natural do Porto

autoria Ana Marques Maia

// data 10/03/2017 - 11:16

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Antes da televisão e da Internet, era nos Museus de História Natural que aprendíamos o essencial sobre a fauna e a flora do planeta. Apesar de poder ser, por alguns, considerado um modelo de transmissão de conhecimento obsoleto, o Museu continua a ser uma instituição "transgeracional" - quem o diz é o fotógrafo Tommaso Rada, italiano, ex-residente em Portugal e finalista do concurso Sony World Photography Awards, na categoria profissional. O projecto que apresenta agora ao P3, "Anatomy of a Museum", foi fotografado durante um período de restauro do edifício da Reitoria da Universidade do Porto, onde se situa o Museu de História Natural da Universidade do Porto. As peças que estão normalmente em exposição aparecem armazenadas, envoltas em plástico e protegidas do perigo iminente que trabalhos de restauro potenciam. O Museu de História Natural transporta o fotógrafo para outros tempos, aqueles em que vivia em Biela, nos Alpes italianos. Em criança costumava visitar o Museu de História Natural de Milão na companhia da sua mãe. "Acabava por ser uma espécie de viagem entre a magia e a educação", recorda. "Da cidade onde morava era necessário apanhar dois comboios diferentes para chegar até Milão; depois, finalmente, o Museu, enorme, um edifício em estilo neo-românico, com os animais e o habitat reconstruídos, uma multidão de pássaros, insectos, peixes, répteis e até o esqueleto do maior mamífero marinho existente, o cachalote, exposto no meio de uma sala enorme." São memórias que fundem "a ciência e a magia", evidencia. "Os dragões eram os répteis, e Moby Dick estava ali, imóvel, para poder finalmente ser olhado." Antes de entrar no Museu, Tommaso sabia que queria transmitir essa magia, "desperar uma infância esquecida". Esse passado está presente "nos cheiros de pós misturados com reagentes de conservação" que sentiu "enquanto caminhava entre felinos, aves, crocodilos e esqueletos de elefantes no silêncio das salas vazias". Tommaso espera que este projecto possa transportar o espectador para esse passado, para essas sensações e abrir o apetite para a reabertura do museu, que está prevista para 2018. A série fotográfica "Anatomy of a Museum" insere-se num projecto mais amplo intitulado "(Re)Discover the Museological Spaces in University of Porto: Architecture, Art and Image", que é coordenado pelo grupo de investigação CCRE (I&D Center da Faculdade de Arquitectura do Porto). Os fotógrafos Lara Jacinto, António Pedrosa e Miguel Proença (Colectivo Photo) estão envolvidos no desenvolvimento do projecto, assim como a Scopio Edições, que é responsável pela curadoria fotográfica.

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