Elas são "rainhas de uma coroa demasiado pesada"

autoria P3

// data 16/12/2016 - 16:58

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Elas lutam contra os fiscais, a polícia e os bandidos; lutam contra o sol, a poeira e a escassez de recursos. São mulheres angolanas, mães e empreendedoras; são "mulheres zungueiras", vendedoras que caminham dezenas de quilómetros por entre ruas e avenidas das cidades de Lobito e Benguela, em Angola. "São rainhas de uma coroa demasiado pesada", descreve o fotógrafo João Rodrigues. Elas vendem frutas, legumes, ovos, peixe, marisco, entre outros produtos frescos, e caminham quase sempre com os filhos nos braços ou às costas - ou mesmo dentro da barriga. "Mulher zungueira" é, em Angola, sinónimo de mercado paralelo, de fuga aos impostos, de concorrência desleal, motivo por que a sua actividade é, além de ilegal, impopular. O cerco sobre estas mulheres aperta-se sobretudo devido à pressão exercida pelas autoridades e às agressões que lhes são dirigidas por parte da concorrência. Vivem, por isso, um dia de cada vez. "A meu ver, o braço de ferro com as autoridades angolanas é infrutífero, uma vez que estas mulheres recorrem a esta profissão por falta de empregos. Apesar da sua iliteracia financeira e por vezes analfabetismo, elas são criativas e persistentes, chegando mesmo a vender produtos a crédito." A presença dos filhos torna esta figura "enternecedora" aos olhos de João Rodrigues. "O bebé acoplado às costas ou dentro da barriga, representa para mim, um binómio de amor", escreve em comunicado. Os projectos do fotógrafo têm sempre protagonistas femininas e prova disso são os trabalhos "Pugilistas cubanas: o embargo", publicado no P3, “Mulher obreira”, que desenvolveu na Índia, "Rosa Carne", em Portugal, entre muitos outros. O projecto "Mamã Zungueira" foi abordado na "Rádio Mais", de Angola, publicado no jornal "Hoje Macau", no "Sapo Internacional", foi centro de debate na Faculdade de Letras do Porto (no Centro de Estudos Africanos) e mereceu menção no programa "Bem-vindos", da RTP África. "Estas mulheres trocam, num escambo ordinário, a força dos músculos, a força lenta e cuidadosa da passada, pelo dinheiro. Espero que um dia sejam mais felizes. Até esse dia chegar, a Zungueira terá de aguardar e aguentar verticalmente.”

Eu acho que