Como ultrapassar a morte com a ajuda da fotografia?

autoria P3

// data 31/10/2016 - 12:05

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A avó do fotógrafo Troy Colby adoeceu. "A única avó que conheci, a que mantinha a família unida, ficava mais e mais doente diante dos nossos olhos", disse ao P3, em entrevista. À medida que a doença galopava em direcção ao inevitável, também o sentido de orientação de Colby se perdia. "Vivíamos num estado de limbo. Tentávamos, na altura, mudar-nos da zona rural onde vivíamos para uma zona mais urbana, uma que pudesse oferecer melhores oportunidades aos nossos filhos. Esse processo coincidiu com a doença da avó e fez-me questionar o que significa a palavra 'casa'. A minha avó era quem mantinha a família unida. Essa, tal como a conhecíamos, estava destinada a desaparecer na sua ausência. Senti que, agora, me cabia a mim o seu papel. Partilhar estas emoções com o meu filho e explorar estas ideias em conjunto fez com que o nosso laço se fortalecesse." Assim nasceu a série fotográfica "Memories of Sorrow". As imagens foram pensadas e compostas cuidadosamente e estão ligadas a memórias que Troy considera inseparáveis da sua avó. "Foi na casa da minha avó que aprendi a gostar de observar os pássaros e foi também lá que passei horas a brincar com os brinquedos que ela lá tinha. Os brinquedos já lá estavam antes de eu ter nascido e foram os mesmos com que brincaram os meus filhos. Estes objectos tinham uma história, significavam coisas. Embora não sejam esses os brinquedos que estão nas imagens, eles são muito parecidos e funcionam como referência." Troy Colby esteve presente no momento em que a sua avó faleceu, vítima de doença prolongada. "Foi um momento doloroso, mas ao mesmo tempo feliz. Ela já não estava a sofrer. A minha avó jamais será substituida nas nossas vidas, mas eu e o meu filho aprendemos a contar um com o outro e a, juntos, ultrapassar a dor."

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