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“Olhem para mim, eu também sou bonita”

autoria Julia Kaczorowska

// data 09/10/2015 - 17:29

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A fotógrafa polaca Julia Kaczorowska tem vitiligo. As doze pessoas que retratou em "WZORY" também. As manchas brancas na pele que caracterizam Julia e este grupo não são para eles causa de vergonha ou embaraço, mas sim um motivo de orgulho, uma diferença positiva, uma marca distintiva. Julia procurou os seus retratados na Internet e não foi difícil encontrar online centenas de pessoas com esta doença cutânea. Elas estão em contacto, comunicam entre si, não "para mostrar quão desafortunadas são ou quão deprimidas estão", mas para "dizer 'olhem para mim, eu sou especial, eu sou bonito/a!". Algo que deixou a fotógrafa "absolutamente encantada", como contou em entrevista ao P3. O vitiligo caracteriza-se pelo desaparecimento da pigmentação da pele e pode aparecer em qualquer fase da vida, na infância ou na idade adulta. A Julia, as primeira manchas aos quatro anos, durante as férias de Verão. Primeiro nos cotovelos, depois nos joelhos e progressivamente um pouco por todo o corpo. "Para uma menina pequena ter algumas manchas no corpo não foi um problema", mas, admite a polaca, "para uma rapariga na puberdade sim". "Quando tinha 11 a 13 anos as manchas já cobriam os meus joelhos, cotovelos, palmas das mãos e a pele em redor dos olhos. Nessa altura deitava-me na praia de forma a que ninguém pudesse ver a parte da frente das minhas pernas. Lembro-me de uma situação na escola primária em que a professora não conhecia a turma. Quando entrei ela disse alto, em frente à turma inteira, 'como é possível usar-se maquilhagem nesta idade?!'". Ainda assim, reflecte, não pode dizer que tenha sido vítima de "discriminação". E, com um sorriso, ressalva: "Se não fosse o vitiligo, não teria conhecido tantas pessoas fantásticas, não teria tirado estas fotografias e o projecto não existiria". Mas nem tudo é positivo e há quem se envergonha da doença. "Existe, infelizmente, uma grande diferença entre os grupos na Polónia e no estrangeiro. Na Polónia as pessoas queixam-se e os fóruns estão cheios de dicas sobre como cobrir as manchas e perguntas desesperadas no sentido de encontrar tratamento". Há um estigma relacionado com a doença e a sua origem está envolta em mitos infundados: usar determinado tipo de desodorizantes, ingerir produtos lácteos antes das refeições ou fazer festas a cães com manchas brancas no pelo são alguns exemplos do tipo de crença que vigora em alguns países. Há quem ainda acredite que o vitiligo está associado a uma condição intelectual inferior ou que se trata de uma doença infecciosa comparável à lepra. As situações de discriminação são frequentes, o que afecta a auto-estima dos que padecem da doença, que se estima afectar aproximadamente 1% da população mundial. Mas começam a surgir sinais positivos. No início deste ano, Chantelle Brown-Young, modelo canadiana de 20 anos, tornou-se na primeira mulher com vitiligo a desfilar para uma marca conhecida internacionalmente. Ana Marques Maia

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