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A parede gigantesca de Obie Platon Sara Pinheiro

Gabriel Specter no seu andaime Sara Pinheiro

o trabalho minucioso Obie Platon Sara Pinheiro

Sara Pinheiro

Walk&Talk

Gabriel Specter, Obie Platon e uma ilha inteira a pintar

O festival Walk&Talk continua a deixar pontos espalhados pelo mapa da ilha de São Miguel, nos Açores. Gabriel Specter numa ponta da ilha, Obie Platon a alguns quilómetros de distância

Texto de Mariana Botelho • 06/08/2014 - 10:57

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Gabriel Specter numa ponta da ilha, Obie Platon a alguns quilómetros de distância. Um cavalete na parede do senhor Manuel e da Dona Laurina, o cosmos junto à placa que assinala "Ribeira Grande". O festival Walk&Talk continua a deixar pontos espalhados pelo mapa da ilha de São Miguel, nos Açores.

 

No prolongamento da avenida, em São Roque, um “cavalete” gigante desenhado na parede de uma casa junto ao mar é motivo de orgulho para o casal que aceitou que Gabriel Specter usasse aquela parede como tela gigante para a sua participação na quarta edição do festival Walk&Talk.

 

“Gostamos muito deste género de arte. Essas maravilhas que fazem por aí nos edifícios”, confessaram ao P3. Já conheciam o projecto e no dia anterior à organização do festival lhes bater à porta, tinham falado de uma pintura, feita numa casa daquela mesma rua no ano anterior.

 

A autorização para se utilizar a parede foi imediata. Não só os donos da casa, mas todos os que por ali andava acolheram o artista norte-americano, abrindo-lhe as portas de casa, oferecendo-lhe comida e bebida e ajudando na própria execução da pintura, que desde logo se tornou responsabilidade de toda a vizinhança.

 

Naquela zona de São Roque, é comum as crianças brincarem na rua. Ao final do dia, também os adultos têm o hábito de se juntar ao ar livre. Durante a estadia de Gabriel em Ponta Delgada, o serão era passado fazendo-lhe companhia e apreciando a pintura que se ia desvendando ser uns barrotes desgastados, utilizados como suporte para os barcos em terra.

 

Embora não tenha vindo para o festival com um espaço para pintar definido, Gabriel Specter já trazia o desenho no bolso. Mas o acolhimento por parte dos proprietários da casa foi de tal forma imediata, que o fez mudar de ideias, optando por pintar algo que tivesse significado para aquela comunidade, mesmo que se afastasse um pouco do que normalmente faz. “Nunca pintei num ambiente assim”, admite. “As pessoas podem não ter muito, mas são felizes e partilham aquilo que têm”.

 

De toda a comunidade que o ajudou, nenhum fala inglês — nem Gabriel fala português. Apesar disso, a vontade de ajudar levou a que houvesse comunicação baseada em gestos e expressões que aprende com colaboradores do festival, a quem opta por não pedir que o traduzissem: “How do you say tint?”.“Tinta”, repetia, ao apontar para um balde de tinta azul que pedia que lhe passassem.

 

A vontade de ajuda para com aquele visitante foi visível, assim como o carinho que ali se criou. Na manhã antes de regressar aos Estados Unidos, Gabriel passou pelo local, despedindo-se de todos com abraços e “obrigados". Em São Roque, fica a pintura de Gabriel, que “veio mesmo na hora certa” e o orgulho do senhor Manuel e da Dona Laurinda: “Agora vamos pintar a casa de branco, e a porta de azul. Uma pintura tão bonita merece estar numa casa bem pintada!”

 

O mural mais comprido de Obie Platon

Obie Platon foi o artista que se estreou na localidade Ribeira Grande, que já faz parte deste museu aberto (que conta hoje com mais de uma centena de obras). Num mural de 60 metros de comprimento, pintou uma figura humana repartida por vários cenários, fazendo referência aos elementos que normalmente utiliza nas suas pinturas: mar, terra e cosmos, por se conectar com os mesmos.

 

Obie é o nome artístico do romeno Ovidiau (de onde vêm a inicial do seu nome artístico, a que acrescentou “Bie”, por ser um B-boy). É arquitecto de formação, mas o que faz da vida é pintar, arte que pratica desde pequeno. Contou que apenas pinta para instituições para sustentar o que lhe dá prazer: os murais que pinta, seja na Roménia ou noutros países, sozinho ou com a sua crew.

 

Aos Açores veio sozinho, com um desenho previsto e a noção de que iria pintar o mural mais comprido de sempre no seu percurso enquanto street artist. Ao chegar a São Miguel, adaptou a sua pintura, acrescentando-lhe elementos da região como montanhas e lagoas, além de acrescentar o roxo ao seu típico axadrezado preto e branco, fazendo referencia à imagem do festival Walk&Talk.

 

Durante seis dias, Obie aproveitou toda a luz natural que podia, para oferecer à Ribeira Grande um mural que recebe quem chega à cidade.

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