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Museu dos Coches: a sinalética é dele

autoria António Queirós

// data 27/03/2013 - 20:31

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Em grande parte dos edifícios de Souto de Moura, a sinalética, quando necessária, tem uma assinatura: António Queirós. Já lá vão cerca de 15 projectos desde 1994, quando o designer e professor na FBAUP começou a trabalhar com o Pritzker 2011. Primeira experiência: a recuperação da Pousada de Santa Maria do Bouro. Muitas mais se seguiram: o Estádio Municipal de Braga, o Pavilhão Multiusos de Viana do Castelo, a Casa das Histórias. Também com outros arquitectos, como Carlos Prata no Instituto CUF de Matosinhos. Também noutros trabalhos: o designer de 48 anos venceu no mês passado um Graphis Gold Award. Até que chegamos ao novo Museu Nacional dos Coches, projectado pelo brasileiro Paulo Mendes da Rocha, Pritzker em 2006, que na terça-feira visitou o edifício com abertura prevista (será?) para o segundo semestre de 2014. A sinalética, integrada na proposta museológica do arquitecto Nuno Sampaio, aqui em primeira mão em imagens 3D, será aplicada até Junho. Com a barreira modular que envolve os coches, António quis atender a vários funcionalidades. Um grupo grande ("é o museu público mais visitado em Portugal") pode ler, em simultâneo, as legendas, que, aliás, estão em várias línguas. Até num banco se pode transformar. Noutros projectos, como o da Abadia de Thoronet, feito com Souto de Moura, a sinalética já adopta um carácter de "instalação". O arquitecto, a quem foi pedida uma intervenção, quis inverter a ordem da visita: António Queirós respondeu com peças de alumínio, recortado a jacto de água, em que as sobras das letras (o negativo) servem de base. Recorreu à "linguagem dos balões de BD" para contar as histórias de Paula Rego, à anamorfose da letra A na animação gráfica das bocas de acesso ao Estádio de Braga, propondo uma instalação tipográfica inspirada nas letras deformadas que se encontram nas auto-estradas. Em todos os casos, procura que a sinalética "não tenha grande protagonismo", surja "integrada na arquitectura", respondendo a problemas com uma "presença e linguagem próprias". De mãos dadas. "Sempre pensei que devia ser arquitecto e não designer." E ri. AR

Eu acho que