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Mara Fernandes é designer investigadora na área da Biomimética.

Mara Fernandes é designer investigadora na área da Biomimética.

O excerto

Inúmeros são os objetos biomiméticos que fazem parte do quotidiano sem nos apercebermos. Desde o mais conhecido Velcro, inspirado nas sementes de Arctium (carrapicho), bem como as barbatanas utilizadas pelos mergulhadores criadas através da observação da interação das patas dos cisnes com a água; o alicate baseado nas tenazes dos caranguejos; o paraquedas inspirado nos princípios conceptuais dos “dentes-de-leão”; as ventosas oriundas polvos; e a camuflagem dos militares inspirada na camuflagem dos animais.

Alex Domanski / Reuteurs

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Crónica

Biomimética e o Design

Estudar e adaptar princípios utilizados na Natureza não fará de nós menos avançados tecnologicamente, mas sim, mais conscientes das nossas falhas e com novas perspetivas de futuro

Texto de Mara Fernandes • 20/03/2013 - 19:12

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Nos seus 3.8 biliões de anos de existência, a Natureza conseguiu desenvolver-se, adaptar-se, evoluir, sobrevivendo assim ao longo dos tempos. Faz parte dela um conjunto diversificado de formas, estruturas, sistemas, padrões e até cores, que funcionam e coexistem em harmonia, podendo-se transformar em ferramentas úteis e precisas para o Design conseguir ultrapassar os problemas que hoje em dia se depara. A isso dá-se o nome de Biomimética, uma disciplina que pretende utilizar a vida (“bios”) como fonte de imitação (“mimesis”) para desenvolver/reformular de forma sustentável os produtos e objetos em todo o seu ciclo de vida.

 

Contudo não confundam Biomimética com Biónica. Apesar de serem ambas terminologias que outrora significaram a mesma coisa (derivada da palavra Biotécnica), hoje em dia são disciplinas bastante diferentes cujo fundamento remete para a mesma base: a Natureza. Se na primeira tenta-se imitar a Natureza, em Biónica recria-se através da electrónica, como por exemplo a recriação de membros artificiais para os seres humanos, tais como braços, pernas, mãos, etc.

 

Inúmeros são os objetos biomiméticos que fazem parte do quotidiano sem nos apercebermos. Desde o mais conhecido Velcro, inspirado nas sementes de Arctium (carrapicho), bem como as barbatanas utilizadas pelos mergulhadores criadas através da observação da interação das patas dos cisnes com a água; o alicate baseado nas tenazes dos caranguejos; o paraquedas inspirado nos princípios conceptuais dos “dentes-de-leão”; as ventosas oriundas polvos; e a camuflagem dos militares inspirada na camuflagem dos animais.

 

Agora sejamos claros. Atualmente existe muitas poucas profissões para além do Design que tem um impacto tão significativo no meio ambiente. Não existe forma de separar o Homem da cultura material, nem essa poderá ser a solução para o problema, mas existe sim, uma maneira de tornar essa cultura material mais sustentável, incutindo no Design e no profissional de Design responsabilidade em relação ao presente e ao futuro do nosso meio ambiente. Acredito que o ser humano é capaz de coisas incríveis e de evoluções constantes como tem vindo a acontecer. Mas estudar e adaptar princípios utilizados na Natureza não fará de nós menos avançados tecnologicamente, mas sim, mais conscientes das nossas falhas e com novas perspetivas de futuro.

 

A autora Janine Benyus, uma das pioneiras da Biomimética, refere no seu livro “Biomimicry. Innovation inspired by Nature” (1998) que existe necessidade da mudança de um paradigma, olhando para a natureza e não pensando em “what we can extract from her” mas sim “what we can learn from her”. Mas esta será apenas parte da solução, pois a verdadeira mudança estará sempre na consciência de cada um adaptando ou não, estes princípios como seus.

Eu acho que

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