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Aos 30 anos, Bob Ferraz já trabalhou em vários países até se fixar em Portugal Breno Lewroy

"Mapear as favelas pacificadas do Rio de Janeiro através do Google Maps" é o objectivo do projecto Joana Mateus

Juntamente com Thiago Ferreira, Bob quer potencializar o Mundial de 2014 e as Olimpíadas de 2016 Breno Lewroy

Concurso

Bob Ferraz quer mapear as favelas do Rio de Janeiro

Já ganhou prémios em Cannes e fez campanha política no Brasil. Vive em Portugal e é um dos finalistas do concurso Creative SandBox, da Google Brasil, com um projecto que quer terminar com o preconceito contra as pessoas das favelas

Texto de Ana Maria Henriques • 04/11/2012 - 12:07

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“Se você não é uma pessoa interessante, nunca vai produzir trabalhos interessantes.” Bob Ferraz trabalha há 12 anos como publicitário e no planeamento de estratégias de comunicação para marcas do Brasil e de Portugal, onde vive. Nasceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, há 30 anos, e todos os dias procura “ser uma pessoa um pouco mais interessante e transferir tudo isso” para as coisas que cria.

 

Quando não está pelo Bairro Alto, em Lisboa, com amigos, Bob Ferraz está a criar campanhas publicitárias — a sua “especialidade”. No início deste ano, o brasileiro que também estudou no Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (IADE) criou um projecto, em parceria com Thiago Ferreira, que pretende “mapear as favelas pacificadas do Rio de Janeiro através do Google Maps e com a ajuda da própria comunidade”.

 

A ideia surgiu porque, para Bob, “um dos cartões-postais do Brasil são as favelas” e o que ele quer é ajudar a “potencializar os Jogos Olímpicos e o Mundial de Futebol que vão acontecer no Brasil”. “Este mapeamento vai aumentar a confiança na segurança da cidade e diminuir o preconceito contra estas comunidades”, explica em entrevista ao P3. “Estou confiante porque o momento é perfeito para o projecto acontecer.”

 

O Google Maps nunca mapeou uma favela por completo porque, para o publicitário, “não pode existir mapa das favelas, já que os mapas poderão ser usados pela polícia e por facções criminosas para encontrar, com facilidade, os traficantes que comandam estas comunidades”.

 

Quando a Google Brasil lançou um desafio aos criativos do Brasil, com o concurso Creative SandBox, Bob viu a oportunidade ideal para avançar com o mapeamento das favelas. O objectivo do concurso era usar a tecnologia e a criatividade para melhorar a vida das pessoas e os participantes tinham de incorporar pelo menos um dos produtos da Google (YouTube, G+, Picasa, entre outros).

 

Ao todo foram 4507 os projectos submetidos e 20 foram eleitos finalistas: dez pela escolha do júri e 10 por voto popular. A “Favela Mapeada” é uma das 20 ideias a concurso pelos prémios finais. O projecto que ficar em primeiro lugar vai ser realizado pela Google e o autor recebe 35 mil reais (cerca de 13 mil e 300 euros), viagem para e estadia em Nova Iorque, de modo a acompanhar de perto a produção. Os segundo e terceiro ganham um “videocase” do projecto, divulgação nos média de todo o mundo e ajuda na viabilização do mesmo. Os resultados são divulgados durante o mês de Dezembro.

 

Um “viciado em informação”

Bob, que se admite “viciado em informação”, começou por trabalhar em João Pessoa, Recife e Maceió, no Brasil, onde se formou em publicidade e propaganda, seguido de um MBA em Marketing Estratégico. Porque “queria crescer como pessoa”, tentou Nova Iorque, Barcelona e Lisboa e acabou por escolher esta última cidade.

 

Logo começou a trabalhar numa agência publicitária, Uzina, e, ao mesmo tempo, criou um site de empregos chamado GogoJob, “com foco na região Nordeste do Brasil”, onde começou a sua carreira. Nem um ano depois, o site transformou-se no maior de publicidade das regiões Norte e Nordeste daquele país sul-americano, quer pelo número de conteúdos quer pelas visitas.

 

Entretanto, participou num concurso promovido pelo Festival de Cannes, o Young Lions, responsável pela escolha anual dos melhores jovens criativos do mundo, com um filme cujo objectivo era convencer os directores de marketing de Portugal a investirem em criatividade. Filmou, juntamente com Marcelo Melo, um mendigo do Rossio, em Lisboa, com uma placa em que estava escrito “Ajude-me a evoluir” (vê vídeo ao lado) e, em vez de esmolas, “ele pedia doações para um curso profissional”. Foram os vencedores, o vídeo passou a ser viral e Bob foi procurado por várias agências.

 

Do IKEA ao Freedom Dictionary

Mas nem na Leo Burnett, uma agência premiada em Portugal, Bob se manteve muito tempo. Antes de fazer campanha política no Brasil — por duas vezes vitorioso —, criou para empresas como a McDonald’s, a TMN, o IKEA e, até, o jornal PÚBLICO. Mais tarde, na Torke, conquistou 14 prémios do Clube de Criativos de Portugal e um Leão de Bronze em Cannes.

 

O currículo de Bob é quase interminável, assim como a lista de prémios que alcançou, mas são os projectos mais simples os que ocupam o seu top de preferências. É o caso do Freedom Dictionary, um site criado pela Amnistia Internacional que queria incentivar a liberdade de expressão nos países do Médio Oriente e Norte de África. Este dicionário em branco, “onde pessoas do mundo todo podiam libertar uma qualquer palavra”, libertou mais de 155 mil palavras.

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