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Adelaide Carneiro

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Estes dois bonecos puseram o Facebook a rir

“Dois desenhos a conversar” é uma série de cartoons que Álvaro Silveira criou com situações do dia-a-dia. O que começou como uma brincadeira já rendeu ao criativo uma oferta de trabalho

Texto de Ana Maria Henriques • 20/07/2012 - 09:05

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Álvaro Silveira tem dois amigos que gostam de conversar e de fazer piadas sobre lugares-comuns. Um é azul e o outro vermelho e ambos são desenhos vectoriais, “sem escala, sem geografia e sem credo”. O “dois desenhos a conversar” é uma série de cartoons que o designer publica diariamente numa página de Facebook, desde Março de 2012.

 

“Eu tinha um bonequinho azul que desenhava num caderno, onde estou sempre a escrever ideias, e muitas vezes punha-o a dizer umas coisas. Um dia arranjei-lhe um amigo”, conta Álvaro que, aos 30 anos, se define como “part-time desempregado”. “Faço tudo o que vier e que me dê prazer”, resume. Mas escrever encabeça a lista onde também consta a publicidade, o teatro e o vídeo.

 

Uma página naquela rede social pareceu-lhe a melhor opção para divulgar os trabalhos e tudo começou como uma brincadeira. “Só quando reparei nos números é que comecei a pensar naquilo de outra forma e a gerir mais a sério”, vai dizendo - já são mais de sete mil as pessoas que “gostam” dos dois desenhos.

 

“Às vezes digo a brincar que foram eles que me escolheram a mim”, ironiza. “Eles estão sempre comigo: a ver um filme, a jogar futebol, a trabalhar.” Qualquer situação, desde que corriqueira, serve como inspiração para as conversas que os dois amigos coloridos vão tendo. Para quem sempre gostou de “escrever contozinhos e argumentos”, os "dois desenhos a conversar" foi a escolha ideal para passar bons momentos ao computador.

 

A política e o desporto, por exemplo, não são temas que os dois desenhos discutam. “Materializo as coisas que todas as pessoas pensam num diálogo engraçado que reforce uma ideia sobre certo assunto da realidade”, explica Álvaro. Apanhar o metro, arranjar emprego ou diálogos do dia-a-dia como pedir dinheiro emprestado ou uma sugestão de um filme para ver são os preferidos.

 

Bonecos que arranjam trabalho ao criador

Estes “bonecos de plasticina sociais”, como Álvaro Silveira gosta de lhes chamar – assim, com aspas que o próprio gesticula - já lhe criaram oportunidades de emprego. “Está a ser quase um CV online, um portefólio”, diz, enquanto conta como conseguiu um trabalho como argumentista numa websérie da Filmesdamente, uma produtora do Porto.

 

Já teve pedidos para uso das imagens em t-shirts mas negou gentilmente. O Ciano e o Magenta – como alguns dos fãs “mais técnicos” gostam de lhes chamar – vão participar, em breve, num vídeo de uma banda mas, fisicamente, Álvaro só os imagina em formato livro, com todos os seus diálogos compilados.

 

Entretanto, enquanto continuam apenas online, Álvaro continua a ficar espantado com as mensagens privadas enviadas por fãs a agradecer as gargalhadas. “Os ‘likes’ e os ‘LOL’ valem o que valem, hoje em dia”, relativiza; são os agradecimentos que lhe dão “mais alento para fazer mais coisas”.

 

Ao fim de quase 600 cartoons publicados, ainda não consegue dizer do que é que as pessoas gostam. “Acho que se riem de tudo, o que é uma lição para mim e para os meus preconceitos”, admite. “Existem três tipos de fãs no Facebook: os que dizem que estou a plagiar, os que dizem que os diálogos têm erros e os que gostam”, enumera Álvaro. Até porque, garante o designer de Vila Nova de Gaia, “que tenha conhecimento, só cinco pessoas não gostam daquilo”.

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