Leonor Oliveira

Porto

Stall é uma livraria de design para “criar oportunidades”

Margarida Antunes abriu uma livraria dedicada à disciplina do design. A Stall ocupa um quarto andar no centro do Porto e quer ser um espaço para a apresentação de novos projectos e a "afirmação do papel da mulher na área criativa"

Texto de Ana Maria Henriques • 24/07/2017 - 16:57

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Para chegar à Stall é preciso subir quatro andares de um prédio da baixa do Porto num elevador com uma antiga grade de madeira. No patamar, uma porta com vidro fosco — a lembrar o escritório de um qualquer detective privado do cinema de outros tempos — apresenta: Stall Bookshop. É Margarida Antunes, de 25 anos, quem faz as honras à nova livraria da cidade, aberta há pouco mais de três meses a pensar em quem procura livros (e revistas) sobre a disciplina do design. Estantes acinzentadas, um tapete de aspecto vintage, uma parede feita galeria de cartazes e uma janela. Com vista.

 

Formada em design gráfico pela Escola Superior de Artes e Design (ESAD), de Matosinhos, Margarida idealizou um espaço “para tentar criar oportunidades” na área que escolheu como profissão. Além da venda dos livros e das revistas especializadas, alinhados nas prateleiras, a portuense quer dar a conhecer novos projectos de outros jovens designers, sobretudo gráficos. “Comecei por ter uma selecção de editoras já mais estabelecidas, títulos que são referência, mas o objectivo é que, a médio prazo, possa receber projectos independentes e até auto-propostos”, diz.

 

É isso mesmo que está a acontecer numa das paredes da Stall, preenchida com cartazes de uma exposição no feminino. Em Print! Women Print! estão à venda posters criados por doze jovens mulheres designers que mantém “alguma relação com o Porto”. A ideia é “mostrar a toda a gente do que é capaz um monte de mulheres com garra”, lê-se no flyer da exposição, que se foca em dois temas contemporâneos relevantes. O primeiro é o facto de a produção de formatos impressos, como o poster, “ter crescido nos últimos anos, contra todas as expectativas”. O segundo é, também, um dos motes da livraria — “a afirmação do papel da mulher na área criativa” —, razão pela qual acolheu, há algumas semanas, o evento Ladies, Wine and Design.

 

É Margarida quem faz a curadoria dos títulos à venda e preocupa-se um ter “uma selecção boa com preços razoáveis” — o livro mais caro custa 50 euros —, publicações que quase só se encontram online. Há revistas direccionadas para a área da impressão e para a moda, numa “selecção orientada para o design de uma forma mais abrangente e generalista”, e obras da editora Lars Müller, “que tem livros muito bons e muito bem desenhados”. Da Stolen Books, 2016, de Bráulio Amado, é o único livro português à venda, quer na loja física quer na online.

 

A Stall, garante Margarida, está aberta a submissões de projectos independentes, desde posters a revistas, e para Setembro deve haver novidades na programação paralela do espaço. Se custou deixar a ESAD Idea, onde trabalhava, para abrir esta livraria? Margarida sorri: “Pareceu-me que a altura para arriscar numa coisa deste tipo seria agora, quando ainda não tenho demasiadas responsabilidades.”

 

Estar num quarto andar, sem montra para a rua, é um desafio. “Tem vantagens e desvantagens, claro”, diz, mas uma loja convencional seria “impossível” com os preços praticados. “Acaba por ser um espaço mais acolhedor e intimista, mas se calhar não consigo cativar aquela pessoa que passa na rua e entra”, reflecte. “É uma coisa muito específica, vem quem conhece.”

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