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Inês Telles, 28 anos, nasceu e vive em Lisboa Ana Morais

A prata é o metal que mais usa no seu trabalho Ana Morais

Ana Morais

Crónica

A Anita e a Inês Telles

A Inês mostrou-me os “cantos à casa” do atelier que inaugurou recentemente na Calçada da Estrela. Ela consegue transmitir magia em cada peça fabricada por mãos de fada

Texto de Ana Morais • 19/12/2014 - 13:34

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Já conheço o trabalho da Inês há uns anos; as redes sociais têm destas coisas, aproximam, divulgam, tornam possível. A delicadeza das peças que cria são um reflexo da maneira de estar da mesma, e quando a conheci foi isso mesmo que reconheci nela.

 

Inês Telles, 28 anos, nasceu e vive em Lisboa. Formou-se em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa, com um ano de Erasmus nas Belas Artes de Salamanca, mas o apelo pelo lado prático da arte sempre pulsou apesar do gosto pela teoria.

 

“Na faculdade sempre que era possível os meus trabalhos eram relacionados com adornos, os Torques da Idade do Ferro ou os enfeites usados nos Korai da Grécia Antiga.” Inspirada por este apelo, faz uma formação no atelier de uma joalheira e após concluir a faculdade começou um curso técnico de Designer de Joalharia, na Escola Contacto Directo. O ínicio dos seus trabalhos com a joalharia data já de 2009, e foi graças ao seu imenso empenho e dedicação que foi desenvolvendo, a par das aulas, técnicas e formas novas para aplicar nas suas peças. “Apesar de trabalhar ao mesmo tempo, conseguia sempre tempo para trabalhar e explorar novas formas, num pequeno espaço improvisado em casa dos meus pais.”

 

Ainda durante o curso, que durou dois anos, teve o seu primeiro atelier que partilhava com outros dois designers. À medida que conversamos, a Inês mostra-me os “cantos à casa” do atelier que inaugurou recentemente na Calçada da Estrela, e eu vou respirando um pouco desta dedicação que, talvez pela luz fantástica que o espaço recebe, parece palpável. Costumo mencionar muito a magia que locais, coisas e pessoas têm e transmitem… a Inês consegue transmitir isso em cada peça fabricada por mãos de fada, com muito empenho, dedicação e amor pela arte. Vê-la trabalhar no meio do caos bélico que o atelier de um artesão pode facilmente adquirir foi um momento fascinante.

 

Quando percebeu que poderia vender as suas peças – conta-me – começou a desenhar e a construir as suas linhas e coleções. Criar uma carteira de clientes era uma das prioridades, o que, com muita dedicação, eventualmente acabou por acontecer, e diz-se abençoada por uma certa rapidez na desenvoltura do seu projeto. Mais tarde, já a trabalhar na área da joalharia, lançou-se à aventura numa grande viagem pela América Latina. A paixão pelo continente fixou-a por terras de Vera Cruz, e durante meio ano viveu no Brasil onde aproveitou para aprofundar técnicas, mas também envolver-se com todo o mercado na area, expondo em feiras profissionais e trabalhando a sua marca.

 

A prata é o metal que mais usa no seu trabalho; o negro e o dourado são colorações recorrentes que consegue através da oxidação ou do banho de ouro. “Gosto de jogar com contrastes cromáticos, principalmente do dourado com o negro, associo ao Oriente e a culturas antigas.” Também já explorou outros materiais, como a madeira, pedras, resina, acrílicos e esmalte, e hoje em dia o uso de materiais pouco ou nada manipulados faz parte da identidade do seu trabalho: o primor das matérias orgânicas e virgens como matéria prima. “Gosto de criar pormenores que se acrescentam ao corpo, jóias de imagem limpa e simples e com linhas ergonómicas. As minhas colecções são marcadas pela influência da natureza (gosto da ideia de vestir o corpo com pormenores da natureza que parecem vivos) mas também da arquitectura ou das culturas antigas.”

 

Identifica a etapa de construir novas formas como a mais desafiante, pelos motivos óbvios — fazer maquetes, experimentar, esboçar e pesquisar. “Procuro construir para desconstruir, encontrar traços fundamentais e limpos. Explorar o movimento, o volume, e sombras são também constantes.” Mas todo o esforço e dedicação tem tido a sua recompensa, pois sente que o público em geral aprecia e identifica-se com o seu trabalho, e o reconhecimento é a força extra de qualquer criativo.

 

A Inês quer ver a sua marca crescer próspera e sã, com uma identidade particular, produção em pequena escala com uma certa exclusividade e alta qualidade, quer poder-se dedicar à peça ideal de encontro ao que os seus clientes pretendem. Em Portugal já tem algum reconhecimento, mas a vontade de transpor barreiras é latente. Por isso, no fim de Janeiro estará novamente em Paris, numa das maiores feiras internacionais da Europa, a apresentar os seus últimos trabalhos (orgulho!).

 

Neste momento, a marca Inês Telles – Jóias/ Jewellery está representada em algumas lojas em Portugal, como a loja do Museu Berardo (Centro Cultural de Belém-Lisboa), a Ourivesaria Sarmento (Rua Áurea-Lisboa), a Loja da estilista Alexandra Moura (Príncipe Real-Lisboa), a Véronique Boutique (Travessa do Carmo-Lisboa) e a Loja do Museu de Serralves (Porto). Fora de Portugal, também se encontra em São Paulo, Nova York, Paris, Bergerac e Neuchâtel. Para além da loja online sempre disponível ou o Facebook, também podem visitar, por marcação, o atelier em Lisboa, na Calçada da Estrela. No entanto se ainda têm prendas de última hora para comprar e estão em Lisboa podem visitá-la durante este fim-de-semana no Jardim da Estrela, no mercado Crafts & Design – digam-lhe “olá” por mim!

 

Boas Festas e até 2015, da Anita.

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