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Revista "Dot-to-dot" Nuno Fernando Pereira

Só depois de abrir as páginas pelo picotado é que o leitor tem acesso à informação. Nuno Fernando Pereira

A viagem pela história da sexualidade começa com a estatueta "Vênus de Hohle Fels". Nuno Fernando Pereira

Alguns exemplares de revistas pornográficas incluídos na publicação. Nuno Fernando Pereira

Nuno Fernando Pereira

Revista

“Dot-to-dot”: unir a sexualidade ponto-a-ponto

É uma revista e faz uma viagem no tempo pela história da sexualidade ao longo de várias épocas. Foi criada por Raquel Peixoto, que deu um novo uso ao jogo “join the dots”

Texto de Ana Amélia Fernandes • 12/12/2014 - 15:23

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Ponto-a-ponto. É desta forma que Raquel Peixoto conta a história da sexualidade. “Dot-to-dot” é o nome da publicação criada pela jovem estudante de Design da Comunicação. “Let’s talk about sex” — tema dos Salt-N-Pepa — é assim que começa a revista que aborda vários tópicos sobre a sexualidade ao longo de várias épocas.

 

“A primeira ideia foi mesmo fazer uma revista ponto-a-ponto e transformá-la numa revista pornográfica. Só depois achei que podia incluir mais alguma coisa”, conta Raquel ao P3. A revista é composta por textos e imagens de vários autores que, combinados, fazem uma viagem no tempo pela história da sexualidade, desde a Antiguidade Clássica até aos dias de hoje, passando pela Idade Média, o Renascimento e o aparecimento da fotografia e das revistas pornográficas.

 

Raquel pretende que o leitor faça uma reflexão e coloque várias questões em torno da sexualidade. “ ‘Dot-to-dot’ é uma forma de pôr as pessoas a pensar e a questionar o que é a sexualidade hoje? Como é que as pessoas a vêem? Ainda há realmente essa repressão? Hoje em dia liga-se muito a sexualidade à comercialização e ao poder”, explica.

 

Mas esta não é uma revista qualquer. Para além de dar uma nova utilidade a um jogo tradicionalmente característico das crianças – o “join the dots” – para criar imagens pornográficas, todas as páginas da revista estão fechadas. Só depois de abertas pelo picotado, é que o leitor tem acesso à informação. A jovem de 21 anos pretende que os leitores questionem e, simultaneamente, “brinquem com a situação”. A ideia é mesmo colocar os leitores a ligar os pontos e a descobrir as imagens.

 

Ao longo de 50 páginas, a publicação dá a conhecer várias curiosidades e pontos importantes da visão sobre a sexualidade em diferentes épocas da História. Questões de género, orientação sexual, repressão e discriminação social, comercialização, o discurso moderno sobre a sexualidade e as relações de poder são algumas das temáticas abordadas.

 

Edição limitada

Raquel é natural de Viana do Castelo e frequenta actualmente a ESAD (Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos). Anualmente, esta instituição propõe aos alunos do 1.º ano de mestrado em Design de Comunicação a realização de uma “pop-up shop”. “Este foi um projecto que nos foi proposto. A ideia era criar uma loja de apenas um dia com objectos que não fossem convencionais e que, normalmente, não encontramos numa loja qualquer ou fazer uma desconstrução: pegar num objecto e dar-lhe outro significado”, explica a jovem. “Dot-to-dot” foi um dos vários trabalhos expostos na “pop-up shop 2014”, realizada a 6 de Dezembro nas Galerias Lumiére.

 

No próprio dia do evento, Raquel conseguiu vender todas as revistas que tinha, cada uma com o custo de 14 euros. “Dot-to-dot” é uma edição limitada e, por isso, a jovem admite não saber se vai continuar a venda desta publicação, mas adianta que vai fazer mais alguns exemplares, depois de várias pessoas se terem mostrado interessadas em adquiri-la.

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