João Morgado

Casas XS

O escritório já era!

Publicamos, mensalmente, às sextas, um projecto de arquitectura e de decoração de interiores com exemplos de como aproveitar da melhor forma o pouco espaço disponível numa habitação. Bem-vindos às Casas XS. Uma curadoria do blogue Alexandra Matos Design

Texto de Alexandra Matos • 28/12/2017 - 18:49

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Ao gabinete Spaceworkers chegou um pedido: criar uma habitação num antigo escritório, recorrendo ao mínimo de elementos construídos possível, de forma a poder reverter totalmente a intervenção se algum dia fosse necessário. Além deste requisito, pretendia-se que o espaço fosse capaz de transmitir uma ideia de amplitude, apesar da sua dimensão reduzida.

 

“O processo criativo foi bastante fluído, pois sabíamos desde logo que teríamos de recorrer ao mobiliário para efectuar a divisão do espaço e os vãos da fachada indicavam já um caminho quanto à compartimentação funcional do mesmo. Foi no fundo organizar um layout funcional, tendo como pano de fundo as necessidades funcionais do dia-a-dia da casa”, explicam os arquitectos Henrique Marques e Rui Dinis, do gabinete Spaceworkers.

 

Na prática, o principal desafio foi não exceder o orçamento reduzido disponível para esta intervenção. “Para cumprir o orçamento, recorremos a materiais disponíveis nas grandes superfícies. Aproveitamos ainda a carpintaria de um familiar do cliente para criar os móveis lacados que delimitam os espaços, conseguindo também aqui alguma poupança", explicam os arquitectos. Como não existia financiamento para alterar a fachada, de forma a dissimular as diferentes tipologias de vão, decidiram "colocar uma cortina ao longo de toda a parede que confere uma ideia de continuidade". A separação entre a zona de sala e a zona de dormir era também um "ponto sensível", pois a dupla queria "uma divisão que pudesse simultaneamente isolar os espaços e que permitisse na maioria do tempo uma grande transparência e comunicação visual entre os dois espaços, de forma a aumentar virtualmente as suas dimensões". "Nesse sentido", concluem, "recorremos a uma estante, aberta, que tem nas suas costas uma cortina que permite exactamente a abertura ou fechamento dessa comunicação visual, sem ser necessariamente um elemento construído". 

 

A dupla faz as honras da casa e guia-nos pelo espaço: “A chegada à casa é feita num estreito corredor, pintado de negro, de forma a que os seus limites sejam dissimulados de forma a não denunciarem a sua dimensão reduzida. Uma vez neste espaço negro, a luz que inunda o espaço ao fundo do pequeno corredor convida a que percorramos o corredor em direcção à mesma, conduzindo-nos para a zona de estar da casa. Aqui, por oposição ao corredor, entramos a meio de um espaço branco, bastante claro, que acolhe à esquerda uma pequena zona de jantar e à direita um espaço de estar, delimitado por uma estante que deixa antever a zona de dormir. Esta transparência entre a sala de estar e a zona de dormir ajuda à propagação da luz e ainda ao prolongamento virtual do espaço, parecendo que o espaço não é tão reduzido assim."

 

E prosseguem: "A parede que faz a delimitação destes espaços é na realidade um móvel funcional que ora se relaciona com a sala, recebendo a televisão e criando uma série de espaços de arrumação, ora se volta de costas para a zona de dormir, permitindo criar uma pequena zona de vestir, com uma ligação com a casa-de-banho, passando pelo corredor da entrada (uma espécie de atalho, que permite que no dia-a-dia não seja preciso passar pela sala para ir directamente à zona de vestir). Do lado oposto ao quarto, situa-se a cozinha, um espaço pequeno, mas totalmente equipado com todos os electrodomésticos necessários para o dia a dia. A instalação sanitária e os arrumos ficam camufladas pela pintura negra do corredor/hall de entrada, passando assim despercebidos no espaço. Quer a zona de estar, quer a zona de dormir, tiram partido da relação com a varanda existente, permitindo um prolongamento do espaço até ao exterior.”

 

A casa foi ao encontro das necessidades e, apesar da dimensão reduzida, resultou num espaço acolhedor, confortável e bastante funcional, segundo o cliente, que já vive no apartamento há cerca de cinco anos.

 

Dicas para espaços pequenos

“Procurem alguém especializado na organização do espaço", sugerem os arquitectos. "Apesar de não podermos generalizar, no atelier, sempre que temos estes desafios, procuramos usar o mobiliário para poder definir os espaços e ao mesmo tempo garantir o máximo de arrumação possível, bem como explorar ao máximo as potencialidades da luz e dos contrastes entre claro e escuro, luz e sombra, para podermos tirar partido das sensações que podemos criar na arquitectura.”

 

Soluções low cost

“Estar atento, pois por vezes encontramos coisas bem interessantes em lojas de rua ou em grandes superfícies que, combinadas na dose certa, poderão ajudar a criar um ambiente bastante personalizado."

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