Esta casa em Azeitão está pronta para envelhecer

autoria P3

// data 06/09/2017 - 10:05

// 15303 leituras

Era uma adega construída na década de 1940 e pertencia aos avós dos actuais proprietários, que decidiram transformá-la numa moradia unifamiliar: o projecto ficou a cargo dos arquitectos do Extrastudio e as obras terminaram já em 2017. O edifício em Azeitão, “relativamente grande”, foi mantido, sofrendo algumas alterações, explica um dos arquitectos, João Ferrão (João Costa Ribeiro também assina a reabilitação). Devido ao orçamento disponível, “todos os materiais encontrados foram preservados, as telhas reutilizadas, as pedras transformadas em soleiras e a estrutura de madeira da cobertura passou a deck exterior”. Mas o que destaca esta Casa Vermelha é o revestimento exterior que lhe confere a cor. “Queríamos uma coisa que pudesse envelhecer bem e que não tivesse de ser pintado”, justifica João Ferrão. Para “compatibilizar argamassas” foi decidido utilizar um reboco em “cal aérea pigmentada”, criado por uma empresa local que recorre a técnicas milenares, raras hoje em dia. Como “o próprio reboco já tem pigmento”, não será necessário voltar a pintar as paredes. “Ao longo dos anos, a casa vai ficando cada vez mais sólida e a cor vai mudar com o tempo e a exposição solar: mais escura quando chove, mais clara com luz solar”, revela. Já o interior “tem um ar elegante e contemporâneo”, a contrastar com o ar rústico do exterior [visível nas fotografias de Fernando Guerra]. Os novos materiais industriais, reflecte, “vieram conferir um aspecto sempre igual às coisas” e fizeram do processo de envelhecimento “uma coisa negativa” — ao contrário do que acontece com o vinho e a madeira, exemplifica. À moradia de 360 metros quadrados junta-se uma piscina e um pomar de laranjeiras, já existente. O projecto da Casa Vermelha foi finalista dos prémios FAD 2017, fez parte da selecção especial dos Enor Award 2017 e está entre os 15 finalistas, na categoria Arquitectura, dos prémios BigMat 2017.

Eu acho que