Arquitectura

De elevador no Porto, do Palácio de Cristal até à Rua da Restauração

Dois gabinetes de arquitectura trabalharam em conjunto e venceram o concurso de Percursos Pedonais - Ligações Mecanizadas, para ligar a cota baixa e alta do Porto

Texto de Patrícia Carvalho • 11/07/2017 - 10:46

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Há dois elevadores e várias escadas rolantes que correm paralelas aos velhos degraus de pedra do centro histórico do Porto. Já é conhecido o vencedor do concurso público para a concepção do projecto Percursos Pedonais – Ligações Mecanizadas, que apresenta novas soluções de mobilidade entre a zona ribeirinha de Miragaia e as zonas altas do Palácio de Cristal e do Jardim das Virtudes, no Porto. A proposta conjunta dos gabinetes portuenses depA e Pablo Pita (Pablo Rebelo e Pedro Pita) foi a escolhida.

 

Não foi a primeira vez que trabalharam juntos e, desta vez, saíram mesmo vencedores do concurso público que a empresa municipal GOP – Gestão de Obras Públicas lançou, em Março. “Somos duas equipas muito próximas geracionalmente, já nos conhecemos há algum tempo e sempre que há oportunidade de fazermos algo juntos, fazemos. Num projecto como este, o risco envolvido é grande, por isso partilhamo-lo, enquanto maximizamos as hipóteses de sucesso”, explica Luís Sobral, do gabinete depA. Além disso, acrescenta, havia o desafio a que não conseguiam virar costas: “Identificamo-nos com este miolo, com este edificado. É a nossa palete”.

 

Aquando do anúncio do concurso, a Câmara do Porto fora clara sobre os objectivos que procurava alcançar com as novas ligações mecanizadas – encontrar soluções para as dificuldades de locomoção da população envelhecida de Miragaia, apresentar respostas para o crescimento turístico, propondo novos percursos, e melhorar as condições de segurança para quem procura chegar, rapidamente, a pé, da cota baixa à cota alta da cidade, e que hoje se vê confrontado, na zona afectada, com a necessidade de subir degraus íngremes e antigos.

 

Aos concorrentes foi deixada a liberdade de propor as soluções que melhor entendessem, sem a obrigatoriedade de construir um elevador ali ou uma escada rolante noutro ponto. Os arquitectos do depA e do gabinete Pablo Pita avançaram com a proposta de instalarem dois elevadores – um que liga os jardins do Palácio de Cristal à Rua da Restauração, com uma paragem intermédia, e outro que sobe e desce, entre a zona dos armazéns em Miragaia até à fonte do Jardim das Virtudes. O resto serão ligações feitas por escadas rolantes.

 

Luís Sobral explica que o grupo olhou para toda a área de intervenção “com um enquadramento paisagístico muito forte” e procurou perceber como podia intervir sem descaracterizar. É por isso, por exemplo, que as escadas rolantes que sobem a encosta de Miragaia são partidas em vários troços, correndo ao lado das escadas existentes, ou, como diz o arquitecto, “encaixando-se” na subida “para que não tivessem um ar muito abrupto”.

 

Foram apresentadas cinco propostas a concurso, mas duas foram excluídas. O júri, presidido pelo arquitecto Rui Mealha, valorizou, no caso da proposta vencedora a “integridade urbanística” proposta, com “sistemas construtivos simples e adequados à topografia, sem alterar substancialmente a imagem da cidade”, lê-se no relatório final.

 

O estudo prévio desenvolvido pelos arquitectos vencedores será agora transformado em projecto definitivo. O júri deixou a indicação que é conveniente rever a solução para o acesso mecânico na zona do Jardim das Virtudes, uma vez que este passa muito perto do tardoz da fonte, o que, no entender dos avaliadores, podendo “comprometer” os elementos arquitectónicos existentes. João Crisóstomo, do depA, diz que “é normal o júri ter visão crítica e dar alguns inputs”, antecipando que possam surgir outras sugestões. Os próprios arquitectos têm outras propostas que vão além das meras ligações mecânicas, como explica Carlos Azevedo, também da depA, em relação ao Palácio de Cristal. “Está prevista a existência de uma plataforma intermédia [no elevador] num local onde existem umas estufas degradadas. É uma zona do jardim que pode ser explorada e descoberta”, diz.

 

Os vencedores do concurso recebem um prémio de 7500 euros. Os segundos classificados – Pedra Líquida, Arquitectura e Engenharia – recebem seis mil euros e os terceiros (AND-RÉ – Bruno André & Francisco Ré), 4500 euros.

 

A Câmara do Porto já anunciara que a intervenção será faseada, começando pela zona de Miragaia. Sem arriscar datas, João Crisóstomo afirma que a indicação que lhes foi transmitida é que esta “é uma das prioridades” da autarquia.

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