Uma casa introvertida “entre dois muros brancos”

autoria Amanda Ribeiro

// data 07/07/2017 - 16:51

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É uma casa introvertida, onde a vida acontece Entre Dois Muros Brancos — eis o apropriado nome de baptismo deste projecto do Corpo Atelier, finalizado há pouco mais de dois meses em Vilamoura. Tudo porque pairava no terreno uma incerteza relativamente à presença de futuros vizinhos. "Foi concebida desta forma, mais virada para dentro, para estar protegida dos olhares exteriores, por isso está voltada para a paisagem a sul", explica o arquitecto Filipe Paixão ao telefone com o P3 a partir da, imaginamos nós, borda da fotogénica piscina. A casa de quatro quartos, erguida para o seu pai, é agora a nova morada da família. De lá sobressai, claro, a piscina, o "único elemento horizontal que sai das paredes e se projecta, como se fosse uma espécie de pontão ou passarela". Olhando para as fotografias de Ricardo Oliveira Alves, percebe-se por que razão o atelier se apropriou de uma descrição de Raul Brandão no livro Os Pescadores na memória descritiva do projecto: "Céu de um azul que desmaia — por baixo chapadas de cal. Reverberação de sol, e o azul mais azul, o branco mais branco. Cubos, linhas geométricas, luz animal que estremece e vibra como as asas de um cigarra." Quase parece ter sido escrito para aqui, não é? Depois de ter desenhado uma casa para Fernando Pessoa nos Açores, de ter passado pela Dinamarca e pelo Porto, Filipe abriu há três anos o seu próprio gabinete no Algarve. "Está a correr bem, muito melhor do que estava à espera", conta, falando de alguns dos projectos que tem em mãos, inclusive um "muito especial": a recuperação dentro das muralhas de Faro da casa onde morou Zeca Afonso.

Eu acho que