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Proposta de Frederico Martinho e Cláudia Franco

Concurso

Uma estrutura de andaimes para viver na Lisboa pós-catástrofe

Frederico Martinho e Cláudia Franco, arquitectos de 28 e 26 anos, venceram concurso C.A.S.A. pós-catástrofe com uma proposta de "grande versatilidade" e "baixo custo"

Texto de Mariana Correia Pinto • 05/12/2016 - 09:48

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Uma cidade destruída, milhares de desalojados e urgência de abrigos para receber quem ficou sem tecto, documentos, bens materiais ou medicação. Com esse cenário e a geografia "tipograficamente irregular" de Lisboa nas cabeças, Frederico Martinho e Cláudia Franco agarraram o desafio de desenhar uma estrutura temporária que apoiasse a população numa situação de catástrofe. Os arquitectos — ele com 28 anos, ela com 26 — são os vencedores do concurso C.A.S.A. pós-catástrofe, lançado no passado mês de Junho pela Área Metropolitana de Lisboa (AML) e a Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos (OASRS).

 

A estrutura de andaimes, num edifício quadrado de 22 por 22 metros, quis dar resposta a vários requisitos. Nas colinas de Lisboa ou outros locais da cidade com declives menos acentuados, seria um espaço “de fácil e rápida montagem, com peças pré-concebidas, e sem necessidade de mão de obra especializada”, explicou ao P3 Frederico Martinho, formado na Universidade de Coimbra, tal como Cláudia. Ao mesmo tempo, a estrutura, com uma “duração de vida curta”, é facilmente “desmontada e reaproveitada”.

 

O júri do concurso, ao qual se candidataram 15 propostas, destacou precisamente a “ideia original, com grande versatilidade para as colinas e os possíveis condicionamentos topográficos". E ainda um "processo de montagem pouco complexo e acessível à mão-de-obra não especializada, facilidade de montagem e desmontagem, transporte, reutilização e baixo custo”.

 

Um "ponto de viragem"

Frederico e Cláudia, naturais de Coimbra, quiseram ainda trabalhar um “lado simbólico de construção e reconstrução da cidade”. Nesta casa temporária, os habitantes tinham não só um espaço de apoio como teriam, figurativamente, um “ponto de viragem”.

 

A área de armazém fica no centro do edifício e o resto distribui-se em volta: loja do cidadão, posto médico, sala de apoio, entre outros. Os arquitectos — actualmente a trabalhar como freelancers, ele em Coimbra depois de dois anos emigrado e ela em Lisboa — pensaram um “sistema de cortinas” que além de serem montado com celeridade pode ser adaptado aos diferentes locais de implementação da estrutura consoante a utilização.

 

O concurso atribui um segundo lugar à proposta de César Augusto Costa Marques, que considerou ser uma “numa resposta positiva ao programa que garante o conforto de utilização, segurança, durabilidade e reutilização”, refere o júri. Em terceiro lugar ficou o trabalho de Simão Silveira Botelho que, “Pela identificação de lugares para a região de Lisboa onde pode ser construída, mostra grande flexibilidade e visão territorial”. Os três primeiros classificados recebem um prémio no valor total de 7500 euros. A cerimónia de entrega decorre no dia 13 de Dezembro, na sede da AML.

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