Um “microcosmos” com vista para o Porto

autoria José Campos

// data 04/10/2016 - 16:08

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Entre o morro e a ribeira, entre a pedra e a luz. Daquela casa “degradada”, encaixada sob a Ponte Luiz I, que ainda agora viu o Teleférico de Gaia bater-lhe à porta, fez-se um “microcosmos”. Como se fosse outro mundo, dentro da margem gaiense do Douro, “fora do Porto mas dentro do Porto”. “A nossa grande intenção era que fosse um espaço que conseguisse estar nessa relação entre a Ribeira e o pátio”, diz Nuno Melo Sousa, arquitecto que assina este projecto de reabilitação com Hugo Ferreira, colega de escritório, de banda, de tudo um pouco. O desafio, lançado por um amigo, um dos sócios dos Oh! Porto! Apartments, passava por transformar o edificado existente em apartamentos turísticos. “A casa”, recorda Nuno, “estava muito degradada”, por isso só foram “aproveitadas as paredes exteriores”. Em quatro pisos (o último foi acrescentado) fizeram-se cinco apartamentos T0, um maior no topo e uma loja e recepção. Tendo em conta que o lote era bastante longitudinal, com um “desenho muito esguio”, foi construída uma “espinha central de betão” que acaba por ser a “base estrutural do edifício”, um “lego onde as outras peças se encaixam”. Um bloco onde se situam as casas de banho e as cozinhas, mas também a ventilação e o elevador. Dali saem as escadas que correm todos os pisos e que desaguam num pátio, acessível a todos os andares. Nos apartamentos, se um lado aponta certeiro para o pátio, o outro aponta direitinho para o pátio, para a rocha. E com “esse novo carácter longitudinal” ganharam “alguma liberdade, algum conforto”. A construção terminou há quase um ano, por isso, numa altura em que o turismo no Porto bate recordes (para o bem e para o mal), já muitos devem ter passado por este “microcosmos”. Para Nuno, de 28 anos, qualquer trabalho é “excepcional”, ainda para mais em início de carreira, mas claro que construir numa localização assim tem um sabor especial. “Era importante que daqui a dez anos pudéssemos passar pelo local e pensar que fizemos um bom trabalho.” Que tal? AR

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