Orienta-te Redes Sociais

Quarta, 16 Mai 2012 • 23h33

296 utilizadores online

Logo da Maldita Arquitectura

Logo da Maldita Arquitectura Pancho Guedes

Informação

A Maldita Arquitectura é uma plataforma de informação e discussão sobre o panorama laboral do sector em Portugal. Reúne em Lisboa e no Porto, em assembleias abertas, com publicação de actas no blogue.

Uma nota enviada pelo grupo: "[A Maldita Arquitectura] já denunciou e boicotou concursos inaceitáveis e procura dar voz a todos aqueles que sempre viveram a conta-gotas. Venham daí arquitectos!"

Nuno Ferreira Santos

Crónica

Crise na arquitectura: mas não foi sempre assim?

A Ordem dos Arquitectos ainda não compreendeu que é a desregulação da profissão que leva a maioria dos arquitectos a viver em crise

Texto de Maldita Arquitectura - Lisboa • 14/11/2011 - 19:49

Distribuir

Imprimir

//

A A

Em artigo no P3 lia-se que o presidente da Ordem dos Arquitectos (OA) falava em crise.

 

Crise, qual crise? Mas não foi sempre assim? A maioria dos jovens arquitectos (e os menos jovens) sempre tiveram de emigrar. Estagiaram sem salário, saltitaram de recibo em recibo, o emprego sempre foi uma miragem. O que há então de novo?

 

A Maldita Arquitectura levantou estas e outras questões em Outubro de 2010 e a posição da direcção da OA sempre foi que a sua função se cinge à defesa da arquitectura e não do exercício da profissão de arquitecto, mas não é possível fazer omeletes sem ovos. Porquê agora? E porquê neste tom de queixume: “Oh! Fechou-se a torneira.”

 

A OA ainda não compreendeu que é a desregulação da profissão que leva a maioria dos arquitectos a viver em crise e que só uma minoria que vive de ajustes directos viu a sua situação afectada pela falta de investimento público. Será por isso que só agora a OA fala em crise?

 

Para a maioria de nós a situação actual sempre existiu. O facto novo é que agora tocou na pele dos poucos que dantes tinham encomendas regulares de projectos, graças ao recurso ilegal a ajustes directos, sem a devida legitimação conferida por concursos transparentes de concepção.

 

Não há arquitectos a mais

O presidente da OA vai no seu segundo mandato à frente do Conselho Directivo Nacional. Esta direcção, que agora fala em nome de vinte mil arquitectos, foi eleita com 1070 votos. A OA sempre mostrou desinteresse pela situação laboral dos seus associados e ao longo dos últimos mandatos tem agravado os seus problemas ao não cumprir os próprios estatutos, ao compactuar com uma rede de compadrio que monopolizou a encomenda em poucos ateliês. Veja-se a situação da Parque Escolar.

 

Outro falso argumento é o de que há arquitectos a mais. Sobrelotação do mercado de trabalho? Sim, mas por falta de arquitectura, não por excesso de arquitectos. Quando temos um país com um território tão desordenado, centros urbanos degradados, periferias desqualificadas, interior abandonado. Quando possuímos tão grande dependência energética do exterior, sendo o seu maior consumo nos transportes, na indústria da construção e na utilização de edifícios. Todas áreas em que nós arquitectos temos soluções, bastando para isso que nos deixem trabalhar por cá, tanto jovens irreverentes, como aos mais velhos e experientes.

 

Assim, para podermos nós, arquitectos, ser parte da resposta à verdadeira crise, a Maldita Arquitectura propôs, em Outubro de 2010 as seguintes medidas:

 

• A maior transparência nas adjudicações públicas e redução ao mínimo dos valores para o ajuste directo;

• A obrigatoriedade de remuneração de todos os estágios;

• A Inspecção pela Autoridade para as Condições do Trabalho dos ateliês de arquitectura para combater a generalização de falsos recibos verdes;

• A elaboração de um Regulamento do Trabalho por Conta de Outrem em Arquitectura;

• A Implementação de uma Tabela de honorários de valores mínimos praticáveis, à semelhança de outros países da União Europeia, nomeadamente da Alemanha;

• A redacção de um Código Técnico da Edificação reunindo toda a legislação dispersa;

• O Cumprimento pela OA dos seus próprios estatutos.

Comentários

    João Brito (não registado)

    29/01/2012 - 01:24

    Caro pls, faça mas é o favor de falar só daquilo que conhece e não generalize, tenho 33 anos e só agora pude entrar para a universidade porque não era decerto com uma reforma de 130€ que o meu pai mem mandava para a tal universidade publica de qualidade... O problema aqui a tratar é a OA, sinja-se a isso... Sou desenhador à 12 anos, sou mal pago e sou eu que faço o trabalho todo. As notas que tenho tirado no meu curso PÓS LABORAL tenho as merecido uma a uma, muito através do meu empenho e da paciência da minha familia... Mais uma vez peço-lhe que não generalize, pode estar a cometer um erro de julgamento... A OA em vez de andar atrás não se entende bem do quê devia realmente era promover boa arquitectura no nosso país...

    Lil'l Sebastian (não registado)

    28/12/2011 - 16:45

    A questão está (ou estava) no facto de que o ensino da arquitectura rendia: os alunos compravam tudo e em qualquer lado se dispunham umas mesas. Quantas escolas privadas nem uma sala de informática dispunham?! E depois sempre se pagavam uns salários aos professores. Enquanto isto...a OA...cega, surda e muda!

    Anonimo (não registado)

    16/11/2011 - 13:36

    Quantos e quantos patrões não devem fazer o mesmo: colocar pelo menos os arquitectos estagiários a seu cargo, para lhes fazer as teses de mestrado e afins. E depois saem com notas brutais sem quase nada terem feito daquilo. E quem de facto "trabalhou" para eles no trabalho nem o nome no agradecimento têm.

    pls (não registado)

    15/11/2011 - 12:23

    concordo com quase todas as reivindicações e afirmações do artigo, À excepção de Portugal não ter excesso de arquitectos. Penso que deveria ser feito algo para acabar com o surgimento e monopolio das escolas privadas que vieram atulhar o mercado de Arquitectos. Quando tirei o meu curso, na Universidade do MInho, entravam 50 alunos/ano enquanto a lusiada do Porto a titulo de exemplo entravam mais de 500/ano. E nessa altura existiam um dezena de escola privada no pais,enquanto que agora so no porto AM Porto ja ultrapassa isso. E porque não falam do negocio gerado pela escolas de arqtt. privada que andam a "dar" o curso aos engenheiros/desenhadores a troco de uma propina bem caras, e dou o exemplo do meu patrão, engenheiro tecnico à +25 anos, que agora anda a tirar o seu curso em pós laboral (mais parece por correspondencia) , teve imensas equivalencias, e que basicamente não é ele que faz o projecto, pois mete-nos a fazer as maquetas e desenhos. E os professores dele sabem disso... É frustrante. Quando andava no secundário, sempre me mostraram que tinha de me empenhar para obter as melhores notas para entrar no ensino superior público( impossivel financeiramente aceder ao privado).

Submeter um novo comentário

Eu acho que

Image CAPTCHA
Escreve as letras que aparecem na imagem.

Pub

Já podes ver os vídeos do P3 no Canal 180 canal180.pt

Audio

O preconceito em relação à mulher brasileira existe, mas Roberta nunca o sentiu

Emprego

Os trabalhadores não pagam e para as empresas a utilização é "90% gratuita"

É uma nova forma de procurar e oferecer emprego ou para encontrar parceiros para novos negócios. Na Workub não há currículos, há "perfis de competê...

Boicote ao rei, boicote ao El Corte Inglés

Espanha // Depois do escândalo com o rei de Espanha, também o El Corte Inglés está a ser...