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Diana Albuquerque Abrantes

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Excerto

"E depois há o tipo 2. Desenvolve-se tendencialmente nos finais de tarde de domingo, após um ternurento último beijo acompanhado de uma promessa sussurrada “na sexta-feira já voltamos a estar juntos”. Esta é uma doença crónica. Provoca uma degeneração lenta e é a principal responsável pela formação de coágulos sanguíneos que dificultam a irrigação do coração. Pode também deteriorar gravemente o sistema imunitário, conhecendo-se pacientes com diagnósticos de inflamações graves ou casos em que a doença se tornou autoimune."

Reuters

Crónica

Esta saudade que trago

A causa é uma viagem de umas milhas com uma pesada mala de 20 quilos. O primeiro sintoma é uma dificuldade extrema em descolar de abraços e controlar lágrimas no aeroporto

Texto de Diana Albuquerque Abrantes • 29/11/2013 - 17:23

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Há quem diga que “Saudade” tem origem lusa. Nunca lhe pedi uma identificação mas acredito que, embora o passaporte tenha carimbos de todo o mundo, a palavra "Portugal" esteja escrita na primeira página. Pelo menos, este vírus nunca fragilizou tanto a nossa nação.

 

Tradicionalmente instala-se nos seres vivos após a irrecuperável perda de um ente querido, quando um antigo amor ainda está por encaixotar ou depois de animadas tertúlias a recordar outros tempos felizes.

 

O século XXI ficará na história pela disseminação catastrófica de outra vertente do vírus e a Direcção Geral de Saúde já colocou todos os Distritos sob alerta vermelho.

 

E há dois tipos desta patologia.

 

No tipo 1, a causa é uma viagem de umas milhas com uma pesada mala de 20 quilos. O primeiro sintoma é uma dificuldade extrema em descolar de abraços e controlar lágrimas no aeroporto. A partir daí o vírus espalha-se pelo corpo inteiro. Da ponta do cabelo à unha do pé. Num ápice contagia músculos, tendões, órgãos, pele e não há antibiótico, analgésico nem suplemento vitamínico capaz de o deter. É que nem sequer 15 dias consecutivos de banhos com esfregão de aço e água a ferver são capazes de tirar “aquela coisa” que se entranhou nos poros da pele.

 

E depois há o tipo 2. Desenvolve-se tendencialmente nos finais de tarde de domingo, após um ternurento último beijo acompanhado de uma promessa sussurrada “na sexta-feira já voltamos a estar juntos”. Esta é uma doença crónica. Provoca uma degeneração lenta e é a principal responsável pela formação de coágulos sanguíneos que dificultam a irrigação do coração. Pode também deteriorar gravemente o sistema imunitário, conhecendo-se pacientes com diagnósticos de inflamações graves ou casos em que a doença se tornou autoimune.

 

É que na verdade, mesmo que tudo se mantenha imaculado naquilo que os poetas mais idolatram, a alma, falta o corpo, o cheiro, o toque, o colo, o aconchego, a minha mão na tua, os teus pés quentes.

 

Mas então que seja como em todos os outros campos da vida em que a escassez nos obriga a potenciar competências, a maximizar oportunidades. No amor, na amizade e na família que estes doentes sejam ainda melhores amantes que qualquer ser saudável.

Eu acho que
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