Orienta-te Redes Sociais

Copywriter e autora do blogue "One Woman Show". Quando era pequena pensava que o Hotmail era um site pornográfico.

Excerto

O amor de verdade tem um corpo que demora a arrefecer, às vezes uma vida inteira. E uma vida inteira é muito tempo. E agora, seguem-se os cinco passos do luto, tão estúpidos quanto humanos.

Facebook

Blogue

@Doug888888/Flickr

Crónica

Mataram o amor. Viva o amor!

O luto do amor é uma dor que não tem direito a três dias de dispensa no trabalho. É dor que não merece os "sentimentos" de ninguém, nem palmadas nas costas, nem alteração do estado no BI

Texto de Cátia Domingues • 04/11/2013 - 12:39

Distribuir

Imprimir

//

A A

Se o amor tem um luto, o meu foi ontem a enterrar, e a semana não acabará sem que a missa de sétimo dia aconteça.

 

Na verdade, só o amor sentido é que se veste de negro. É o que se carpe. Amor que é amor é amor fadista de xaile negro pelas costas... é amor que se ama de olhos fechados. É amor em si, em lá e dó.

 

O amor de verdade tem um corpo que demora a arrefecer, às vezes uma vida inteira. E uma vida inteira é muito tempo. E agora, seguem-se os cinco passos do luto, tão estúpidos quanto humanos.

 

1. Negação e isolamento: "Isto não pode estar a acontecer. Não pode."

 

2. Raiva: "É tão injusto. Eu dei tanto. Eu fiz tanto. Eu ainda gosto tanto. Tanto."

 

3. Negociação e diálogo: "Vou tentar ver o lado positivo. E é desta que vou começar a ir religiosamente ao ginásio."

 

4. Depressão: "Não consigo. Estou tão triste. É tão frustrante. Será que alguma vez vai passar?"

 

5. Aceitação: "Vai. Vai passar."

 

É um amor que não recebe visitas, que não se celebra nunca, que não recebe flores, nem para inglês ver, nem sequer em dia de finados.

 

É a dor que não tem direito a três dias de dispensa no trabalho. É dor que não merece os "sentimentos" de ninguém, nem palmadas nas costas, nem alteração do estado no bilhete de identidade. 

 

E porque raio é que isto é menos do que um luto a sério, mesmo quando não é um luto a brincar? Quando se despede de alguém que se ama, iça-se a bandeira a meia-haste e faz-se feriado pessoal.

 

Esta eterna saudade é verdadeira. Mesmo quando se corre o risco de ver o finado numa noite no Cais do Sodré.

 

O verdadeiro amor, raramente falece de morte natural. Geralmente é brutalmente assassinado, digno de capa do "Correio da Manhã". Julgado como crime passional numa trágico-comédia de sala de psicólogo.

 

"É uma pena, ninguém estava à espera. Era um amor tão novo."

 

Queres saber como é que reages ao luto? Lutando.

Eu acho que
P3 now speaks English. See our galleries

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Ensino superior

Um médico e um estudante de Medicina da Universidade do Porto querem ajudar os colegas a "simplificar o processo de revisão de conteúdos" para o temido...

Vive-se com VIH. O que mata é o...

Saúde // Ter VIH já não é uma sentença fatal, mas o preconceito continua à espreita. E...