Orienta-te Redes Sociais
Bruno Marques

Bruno Marques escreve e partilha as palavras que traduzem a linguagem do coração

Excerto

Se tivesse a possibilidade de colocar uma imensidão de lembretes em toda a parte, escreveria em cada um deles: “amo-te!”. Para ninguém se esquecer de o dizer sempre que o coração quer sair pela boca, nos momentos únicos de algo tão especial. Por muito que soe a repetitivo, piroso, "démodé"

Michaela Rehle/Reuters

Crónica

Lembrete: amo-te!

Vários autos são levantados contra o uso do “amo-te”. Por soar assim a uma piroseira pegada, por não sabermos usar uma qualquer outra expressão. Mas o “amo-te” nunca passará a banal. Nunca cairá em desuso

Texto de Bruno Marques • 31/10/2013 - 18:12

Distribuir

Imprimir

//

A A

A linguagem do coração é geralmente muito repetitiva. O vocabulário não tem grandes segredos quando se trata de mostrarmos a paixão e o amor que nos invade. Abrir o coração não é fácil, mas, quando acontece, esqueçam a parte de esmiuçar em palavras o que lá vai dentro. Porque a forma de o expressar, a falar e a escrever, não anda longe das repetições de tantos outros casos semelhantes. Repetitiva, embora de significado distinto, dependendo do protagonista.

 

O coração tem uma linguagem simples, de fácil compreensão, mesmo depois daquele ar parvinho ao pronunciarmos cada palavra. Escrever as palavras do coração torna-se mais fácil porque na maior parte das ocasiões não observamos ou somos observados nas nossas reacções e expressões enquanto o fazemos. Falado ou escrito, o sentimento está presente. Sem segredos. Como as palavras não têm segundas intenções.

 

Algumas delas poderão começar a ficar gastas, talvez até banalizadas. Podem mesmo surgir algumas queixas de que estamos constantemente a utilizá-las. Chamados de melosos, varridinhos das ideias, porque recorremos à mesma fórmula de demonstrar amor. Vários autos são levantados contra o uso do “amo-te”. Por soar assim a uma piroseira pegada, por não sabermos usar uma qualquer outra expressão. Mas o “amo-te” nunca passará a banal. Nunca cairá em desuso. Jamais será considerado um excesso linguístico.

 

Em matéria de coração, o melhor é repetir vezes sem conta a mensagem, ao melhor jeito redundante da linguagem publicitária. O que vem do coração é genuíno, único, despertado pelas melhores sensações. Não pode ficar por dizer. E deve ser dito vezes sem conta. Sempre que sentimos o aconchego quentinho da casa onde habitamos e a ebulição bem lá no fundo. Guardar é um lugar sem espaço quando a vida, tal e qual a conhecemos, pode terminar ao virar da esquina. Quando aquele momento pode ser o último.

 

Em cada oportunidade que o destino conceda, entre um beijo demorado e a tranquilidade de um abraço, devemos aproximar-nos devagarinho do ouvido, dizendo bem baixinho, numa só palavra, tudo o que o coração sente mas não consegue falar. Seja “amo-te” ou todas as demais variantes da linguagem do coração.

 

Se tivesse a possibilidade de colocar uma imensidão de lembretes em toda a parte, escreveria em cada um deles: “amo-te!”. Para ninguém se esquecer de o dizer sempre que o coração quer sair pela boca, nos momentos únicos de algo tão especial. Por muito que soe a repetitivo, piroso, "démodé".

Eu acho que
P3 now speaks English. See our galleries

Audio

Laura quer que as pessoas entrem no atelier dos artistas "com um clique"

Neurociências

Joana Barroso

Investigadora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto destacou-se com um projecto sobre o papel que o cérebro desempenha na dor crónica e venceu a...

Arquitectura: estas são as melhores...

Fotografia // Os finalistas dos Arcaid Images Architectural Photography Awards 2017 foram...