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Mariana Avelãs

Mariana Avelãs diz que acção da polícia foi uma tentativa de “criminalizar os movimentos” DR

Movimento diz que polícia garantiu que "não haveria consequências"

Movimento diz que polícia garantiu que "não haveria consequências" Paulo Pimenta

Austeridade

Organizadora da manifestação de 15/9 constituída arguida

Semanas depois de uma conferência de imprensa do movimento "Que se lixe a troika", Mariana Avelãs recebeu uma notificação: estava a ser alvo de denúncia de um crime

Texto de Fabíola Maciel • 23/11/2012 - 16:36

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Três dias antes da manifestação de 15 de Setembro, em que milhares de portugueses saíram às ruas, o movimento "Que se lixe a troika" realizou uma conferência de imprensa, em frente à Assembleia da República. Segundo Mariana Avelãs, nesse dia, a PSP dirigiu-se aos 15 membros, que ergueram uma faixa do movimento, para pedir a identificação de uma pessoa, mas garantiram que “não haveria consequências”.

 

Em comunicado, o movimento salienta que “os agentes da PSP que se deslocaram ao local traziam consigo um mandado de notificação já preenchido, ao qual faltavam apenas os dados da pessoa a notificar”.

 

Contudo, Mariana Avelãs disse ao PÚBLICO que “duas ou três semanas depois” foi informada de que “estava a ser alvo de denúncia de um crime”. A activista social confirmou ter sido constituída arguida a 8 de Novembro pelo crime de organização de manifestação não comunicada.

 

Nem participou na manifestação, diz arguida

Mariana contrapõe que “a iniciativa foi apenas uma conferência de imprensa”, que garante ter sido “pacífica”, já que “15 pessoas a falarem com jornalistas não são uma manifestação”. Por isso, reitera “não ter participado em qualquer manifestação” no dia em questão.

 

Mariana Avelãs descreve a acção da polícia como uma tentativa de “criminalizar os movimentos” para dar a ideia de que são “terroristas e revolucionários”. Neste momento, a activista e tradutora encontra-se com termo de identidade e residência e está à espera de saber “se o processo avança ou é arquivado”.

 

No comunicado, o movimento "Que se lixe a troika" considera a acção uma “estratégia, clara e previsível, de coacção por parte das forças policiais” e recusa “cair na armadilha de quem quer tornar as nossas ideias reféns de pedras e bastões”.

 

O movimento assegura que vai continuar a sair à rua: “Temos muito mais do que pedras como argumento e é por isso que não nos calam, nem com bastões nem com processos por crimes que não cometemos.”

 

O ex líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, reagiu a esta notícia ao início da tarde desta sexta-feira, numa nota publicada na sua página do Facebook que intitulou "Mariana, era só o que faltava". 

 

"Não sei porque razão faltou ao ministério público ou a esta "autoridade" o mínimo de bom senso para perceber que está a perder tempo, a fazer perder tempo, a ofender a democracia, a insultar as pessoas, a desprezar o milhão que veio para a rua. E a dar de si próprio esta imagem lamentável de desorientação, de falta de critério, de abusozinho", escreveu.  

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