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Cristina José Freitas é finalista do curso de Comunicação da ESEC

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Excerto

Pai, prefiro voltar a parecer um coador do que levar na carteira, no final de cada mês, o bloco de papelinhos verdes. Quando é que passar recibos verdes começa a ser “mainstream”?

ePi.Longo/ Flickr

Crónica

A geração das tatuagens, dos piercings e dos (falsos) recibos verdes

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde, esse é uma parede em crescimento constante

Texto de Cristina José Freitas • 19/06/2012 - 17:50

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A palavra tatuagem parece ter saído, pela primeira vez, da pena do capitão James Cook, no século XVII, para descrever a pigmentação artificial visível na pele dos índios. A sua prática, essa remonta aos anos 2000 e 4000 A.C. Há bem menos anos, apontemos para trinta ou quarenta (ou bem menos), uma tatuagem era quase um atestado de marginalidade. Agora, quem as tem é fixe, porreirito e, felizmente, aceite.

 

Eu tenho uma e já estou a pensar na segunda. Passamos agora às origens dos piercings. Os mais antigos vestígios mumificados alguma vez descobertos possuíam brincos nas orelhas. São a prova física de que este costume conta já com mais de 5000 anos. Os furos no nariz, mais do que comuns em tribos espalhadas por todo o mundo, parecem ter surgido 1500 anos antes do nascimento de Jesus. Bem antigos que são, não?

 

Também fazem revirar alguns olhos. Também já tive uns 3 ou 4. Vá, os suficientes para me dizerem que eu parecia um coador. Já passou. O que também já passou mas é certo que voltará, tal como as chuvas em Abril, é o maldito do recibo verde. O falso recibo verde. Aquele que faz de nós pseudo-trabalhadores independentes quando, na verdade, continuamos a trabalhar no nível mais baixo de uma hierarquia, muitas vezes bem pesada, em condições precárias.

 

Para os trabalhadores que já os preenchem, são apenas independentes na escolha do que levam na marmita (também essa muito em voga, por razões práticas, entenda-se económicas) para comer ao almoço.

 

De todos os meus colegas que já acabaram o curso, talvez uma ou duas mãos cheias deles estão a trabalhar na área (Comunicação Social). Surpresa: todos eles, ou a esmagadora e asfixiada maioria, passam recibos verdes. É um buraco negro que vai consumindo a minha geração e as que a precedem. De repente, ser-me negada a possibilidade de emprego por ser tatuada ou por ter piercings em várias partes do corpo não parece tão mau ou frustrante (embora continue a ser um péssimo motivo para negar emprego a alguém) como só arranjar empregos onde me será exigido que passe recibo verde.

 

O preconceito contra piercings e tatuagens está a diminuir e está a deixar de ser um obstáculo para quem procura emprego. O recibo verde é uma parede em crescimento constante que tapa a vista e apaga a esperança daqueles que querem viver e não apenas subsistir. A cor que antes nos remetia para a natureza, agora faz lembrar que vivemos um dos piores pesadelos do capitalismo. Pai, prefiro voltar a parecer um coador do que levar na carteira, no final de cada mês, o bloco de papelinhos verdes. Quando é que passar recibos verdes começa a ser “mainstream”?

Eu acho que
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