Dubai, a Las Vegas do Médio Oriente

autoria Ana Marques Maia

// data 04/04/2018 - 11:34

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Sofisticação, opulência, artificialidade. Consumo ilimitado, luxúria. Garden of Delightsérie de fotografias do belga Nick Hannes, valeu-lhe a vitória na terceira edição do Zeiss Photography Award. E é "um estudo casuístico visual sobre a urbanização de alta velocidade, sobre o lazer e o consumismo no Dubai".

 

A metrópole ultramoderna em que se transformou a partir de 1966 — momento em que foi descoberto petróleo — é hoje "o pináculo da globalização e do capitalismo". "Com os seus prestigiosos centros comerciais (Ibn Battuta Mall ou The Dubai Mall), as suas ilhas artificiais (Palm Islands ou The World) e os icónicos arranha-céus (Burj Al Arab ou Burj Khalifa), o pequeno emirado do Golfo Pérsico é um jogador de elite no palco mundial do turismo e dos negócios", descreve Nick Hannes na sinopse do projecto.

 

Mais de 90% da população do Dubai é estrangeira e de origem ocidental. Em consequência, "os valores islâmicos tradicionais estão a ser desafiados", descreve o fotógrafo. A indústria do entretenimento, que tem um impacto significativo na cultura do emirado, contribui grandemente para essa mudança de paradigma. As raízes da tradição do Dubai são pouco profundas, o que enfraquece a resistência à mudança. "O Dubai é uma cidade genérica: uma cidade sem história secular, sem herança ou personalidade expressivas. É uma marca, uma construção artificial focada na geração de lucro." É uma sociedade encapsulada, na opinião de Hannes.

 

A desigualdade social é uma das marcas distintivas do Dubai. "É uma sociedade com duas caras, onde o cidadão do primeiro mundo reside num arquipélago protegido, numa cápsula onde é agradável viver; já o segundo mundo, onde vivem os restantes cidadãos, é um oceano de pobreza e caos", descreve. Existem, no emirado, áreas privadas que encerram zonas comerciais, parques temáticos, zonas de lazer — áreas privadas que simulam o espaço público e que deixam de fora os indesejados. "Existe segregação entre os estrangeiros ricos e migrantes explorados", conclui o belga. Na própria denominação há uma diferença: expats são imigrantes ricos e privilegiados, migrantes são imigrantes pobres, excluídos.

 

O projecto de Nick Hannes também foi distinguido com um Magnum Photography Award, em 2017, e, mais recentemente, pelo concurso Days of Japan. O fotolivro Garden of Delight será lançado em Dezembro de 2018.

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