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Crónica

Sexualidade o mínimo

A Igreja, e D. Manuel Clemente como seu representante, demonstra um total desconhecimento do mundo, das vidas, das pessoas, o que é o amor, o sexo, as relações nos dias de hoje

Texto de João André Costa • 09/02/2018 - 13:33

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A grande revolução trazida por Sigmund Freud foi a percepção, a aceitação, do homem e da mulher como seres sexuais desde a nascença à morte, com um sexo e frutos do sexo, sexuados, sexualizados, e movidos em função do sexo, numa procura constante de satisfação e prazer.

 

Negá-lo, negar o nosso sexo, é negar o nosso próprio ser, a nossa razão de existir, como se fôssemos animais, e somos, conscientes, (nem sempre) racionais, com um cérebro capaz de criar, mas também destruir, e tudo em função do sexo e das relações que se procuram estabelecer com quem nos rodeia ao longo da vida. Assim, um desenvolvimento psicossexual saudável levará à formação de indivíduos em equilíbrio consigo mesmo e com os outros, satisfeitos a nível oral, anal, genital, mais uma vez porque estas partes anatómicas existem, todos os dias, de manhã ao acordar, do princípio ao fim dos nossos dias, e negar a sua existência não é senão uma negação do nosso ser.

 

No entanto, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, não está de acordo. Para D. Manuel Clemente, os casais em situação irregular, vulgo pecado, que vivam juntos sem a anulação do casamento anterior, não terão direito aos sacramentos, salvo situações excepcionais. Quanto ao resto, mais uma vez a Igreja, e D. Manuel Clemente como seu representante, demonstra um total desconhecimento do mundo, das vidas, das pessoas, o que é o amor, o sexo, as relações nos dias de hoje.

 

Para já não falar da hipocrisia de uma instituição cuja suposta abstinência sexual está na origem de sucessivos comportamentos desviantes na forma dos escândalos de abuso sexual de menores, vulgo pedofilia, tantas vezes sem consequências, sem castigo, para quem os perpetrou.

 

Basta! Basta de falsos puritanismos, basta de abstinência, para quando o casamento dos padres, para quando as mulheres para padres, para quando uma Papisa, e para quando o fim de uma instituição cheia de sangue e culpa nas mãos ao longo dos séculos, para já não falar do ouro, mais o dinheiro investido em Bolsa ou guardado em offshores?

 

Os Gato Fedorento, no Curso de preparação para o casamento católico, frisavam a importância do mínimo de sexualidade. Não é uma piada, é uma crítica, é a verdade no modo como a Igreja espera que a sociedade se comporte. O que a Igreja não consegue compreender, e aqui os Gato Fedorento demonstraram-no com todos os pontos nos “is”, é que a sexualidade acontece, com ou sem casamento, de todas as formas possíveis e imagináveis. Cabe à Igreja compreendê-las, ou talvez não, e desaparecer por fim.

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